segunda-feira, 20 de maio de 2013

Krishnamurti e a Psicanálise




Interlocutor: É por isso que eu quero saber qual ação que o passado produziu como causa dessa cegueira. Certamente seria muito reconfortante.

Krishnamurti: Então você quer conforto, não compreensão.

I: E não são a mesma coisa? Entender é encontrar consolo. De que serve a compreensão se não trouxer o consolo?

K: Entenda um fato que pode ser bastante inquietante - a compreensão não precisa necessariamente trazer felicidade. O que você quer é conforto, é isso que você está procurando. É perturbado pela doença de seu filho e quer algo para lhe dar a paz. Chama a essa tranquilidade que busca de compreensão, mas o que o impulsiona não é para compreender, mas sim para se sentir confortado, e tem como objetivo encontrar uma maneira de acalmar a sua perturbação, e você chama isso de ‘buscar a causa’. 

Seu maior desejo é que o entorpeçam, é ficar quieto, e sua intenção é achar uma maneira de apaziguar esta perturbação. Encontramos muitas maneiras de adormecer: através de Deus, dos rituais, dos ideais, das drogas, etc. Nós fugimos da perturbação, e um dos escapes é a busca pela causa.

I: Por que não se iria querer estar livre da ansiedade?  Por que  não deveria querer evitar o sofrimento?

K: Por acaso a evasão impedirá que se sofra? Você pode fechar a porta para o desagradável, para o medo, mas ele ainda estará lá atrás da porta, não é? Aquilo que se reprime, aquilo a que se põe resistência não é entendido, certo? Você pode suprimir ou disciplinar uma criança, mas com certeza isso não a ajudará a entender. Você esta buscando a causa a fim de evitar a dor da perturbação, com essa intenção você busca e, naturalmente, vai encontrar o que busca.

Mas somente é possível se livrar do sofrimento quando você olha para o processo do sofrimento, quando você percebe cada uma de suas fases e percebe toda a sua estrutura.

Evitar o sofrimento só o intensifica.

A explicação da causa não é a compreensão da causa.

Mediante a explicação não nos livramos do sofrimento; o sofrimento segue existindo só que agora encoberto com palavras, com conclusões, quer sejam próprias quer sejam de outrem.
O estudo das explicações não é o estudo da sabedoria, a sabedoria só é possível quando explicações cessar. Você está buscando ansiosamente explicações que o adormeçam  e as achara; mas a explicação não é verdade. 

A verdade vem quando há observação sem conclusões, sem explicações, sem palavras.

[Até aqui os ensinamentos de K]


*****



Passo agora a fazer umas observações:

Vamos partir do: “Dai a César o que é de César...” 
  
Todos nós vivemos aqui a Vida-de-César e devemos ter muito respeito e cuidado com ela.

Essa Vida-de-César é essencialmente atrito num recorrente nascer, crescer, envelhecer morrer..., como nos ensina a roda de Sansara do budismo.

Certamente esse desgaste vai deixando suas marcas tanto físicas como psíquicas e temos que, temos mesmo a obrigação de, recorrer aos paliativos que se façam necessários para mitigar essas “dores” buscando na nossa cultura os recursos de alívio necessários.

Aqui temos o espaço legítimo da medicina tanto quanto nos alivia, por exemplo, com a receita desses  óculos, sem o qual não poderia nem mesmo estar escrevendo essas notas, e depois passando pelo tratamento para lenitivos ou superação de outras inevitáveis pequenas, médias e  grandes mazelas, chegando até mesmo a uma bem vinda assistência e conforto físico na hora da morte.

Aqui também nos casos psíquicos cabe perfeitamente o espaço de utilidade da psiquiatria e da psicologia na promoção de um, muitas vezes impossível sem sua ajuda, reequilíbrio interno e social de nosso ego, de nossa Vida-de-César psíquica. Lembremos que sem nem mesmo termos um ego relativamente ajustado nenhum processo visando sua superação ou transcendência (ou como quer que o queiramos denominar) pode ser realizado.

Para que o ego seja (ou se) “entregue” é evidentemente necessário que antes de tudo haja um ego funcionalmente razoável. 

No entanto, apareceu um grande equívoco que é o de se pensar que todo o problema humano, não só o pessoal como como de toda a espécie, é da categoria desses ego-problemas gerados na e por essa Vida-de-César que, para a ciência materialista já impregnada na nossa cultura comum É TUDO O QUE SOMOS.

E é no burburinho da confusão desse grande equivoco que a proposta de Krishnamurti e de muitos outros Homens de Gnósis (homens de sabedoria espiritual) esbarra num pseudo e sofismático mal entendido.

As primeiros a gerarem esse engano foram, num erro de avaliação do escopo e da categoria de seus limites, as pretensões de CURA da condição psíquica humana que os arautos da psicanálise (Freud e também Yung, mesmo que em um outro nível bem mais profundo de abordagem), proclamaram ou pelo menos induziram, respirando ainda a grande e pretenciosa ilusão racionalista dos fins do sec. XIV.

Isso porque, dando conclusão à frase que começou esse adendo temos: “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”

Em todo o seu ensinamento Krishnamuiri só fala, em CURA, e como esta falando no texto acima, em CURA PSÍQUICA - DA ALMA, fundamental para a Volta à Casa do Pai, à Vida-em-Deus.

E para a Vida-de-César o voltar se, como faz o Filho Pródigo, para o Retorno à Casa do Pai ou o Retorno à Vida-em-Deus é LOUCURA. 

E para o ego que: “Deve diminuir para que o EU [o Outro]  possa crescer” ou que é aconselhado:  “Vai larga tudo que tens e segue-me”, essa LOUCURA QUEIMA.

Como é dito no Evangelho Gnóstico de Tomé 

“Eu lancei fogo sobre a terra [e sobre cada homem] e aguardo até que arda”  (*)

Quem  não entender e distinguir profundamente isso vai discutir com Krishnamurti inconclusivamente à exaustão. 

Paulo Azambuja 

 (*)Veja também nesse blog: 





terça-feira, 14 de maio de 2013

E=MC2 – A Manifestação e o Retorno



Amigos:

Como no artigo anterior nesse blog: ‘O Bóson de Higgs - A “Partícula de Deus” ou a “Partícula de Authades”?’ continuamos a fazer uma relação gnóstica com os fundamentos cosmológicos da física a partir de como eles já nos chegam de forma popular ao largo dos extensos e intrincadíssimos modelos matemáticos de domínio exclusivo de algumas poucas mentes científicas. 

As grandes questões da existência relativas à busca de sentido sobre os objetos que nos cercam, principalmente na mais ampla visão da física e da cosmologia, instigam alguns seres humanos que, de um modo geral e segundo características próprias de suas tendências de percepção, as abordam sob duas perspectivas distintas e muito pouco integradas: 

A via da Cabeça - mente e raciocínio – A ciência.
A via do Coração - emoção e espiritualidade - A arte ou a Mística.

É aqui que abordamos uma terceira via de compreensão pela integração da percepção Coração-Cabeça, que sempre foi proposta pelo Conhecimento Vivo gnóstico. Damos assim um passo na compreensão das questões friamente propostas pela física,  esquentando-as, dando-lhes VIDA.  
  
Vimos no citado artigo os primeiros momentos da criação com a polarização primordial representada pelo FIAT LUX na qual a Luz,  pela sua propriedade limítrofe-manifestacional fundamental a Velocidade Absoluta (C), o Noivo, paira, sem interagir, por sobre as Trevas do Princípio – O Espaço Primordial, a Virgem. Nesse estágio a Virgem aparece como a Noiva pura imaculada, ainda intocada pelo Noivo.

“A Luz brilha nas Trevas, mas as Trevas não a conheceram”.

Mas Noiva e Noivo estão indelevelmente comprometidos e, portanto, o Casamento Sacramental primordial deve se concretizar para que o seu fruto - a Manifestação do reino de Deus, o Uni-Verso, se realize.

Para tanto num próximo passo da Criação o Noivo chama a Noiva, emite o SOM, O FIAT VOX.

É quando atenuando sua dinâmica fundamental lança-se com velocidades menores (V) que a sua Velocidade Absoluta(C) e produz desse modo uma vibração capaz de interagir com o Espaço fecundando-o e gerando a manifestação da MASSA que se estrutura na ORDEM manifestacional no que conhecemos como MATÉRIA (massa + estrutura).

Completa-se assim com esse FIAT LEX as condições necessárias e suficientes para um Uni-Verso VIVO, dinâmico e manifestacional.

O Diretor então comanda:  “Luz, Camera...” 

Falta-nos então falar da AÇÃO.

E é nessa Ação que surge acima das polaridades entre a Velocidade(+) e o Espaço(-), o terceiro elemento neutro( ), a ENERGIA. 

Chegamos então à famosa relação: E=MC2 (Energia é a Massa multiplicada pela Velocidade da Luz2)

Mas antes de tratarmos da gnósis que esta sob essa fórmula ABSOLUTA, que indicaremos como a “Fórmula do Retorno”, vamos desenvolver a gnósis da “Fórmula da Experiência Manifestacional” que trataremos como a tríade reduzida da Relação anterior onde a Velocidade da Luz Absoluta (C), é substituída pela Velocidade  Relativa dos Objetos Manifestados (V).  Nesse caso, estruturando e reduzindo temos:  E-M-V.

A Velocidade-Luz Absoluta (C) emite seus raios fecundadores mais lentos (V). Essa diferença, por uma questão que os físicos chamam de Simetria, tem que ser compensada. E isso, como vimos, acontece quando a Velocidade Relativa (V) faz o espaço “vibrar” e nessa vibração os bósons de Higgs se encarregam de compensar essa diferença (C-V) como MASSA.

Portanto a massa representa uma dicotomia: de um lado é a perda por condensação da velocidade original Absoluta, mas, por outro, é a Potência para se ir, dinamicamente, reconquistando esse estado de plenitude original perdido. 

Nesse “ir-se dinamicamente reconquistando o estado de plenitude original perdido” esta todo o sentido harmônico e cada vez mais consciente intencionado no Objetivo Criacional Original, Sagrado, da Manifestação Divina: “A Volta à Casa do Pai”.
   
É assim que estudamos na escola a massa em repouso como tendo uma Energia Potencial que quando posta em movimento, isto é ganhando velocidade, se transforma em Energia Cinética, cuja intensidade é tanto maior quando a velocidade em que a massa está sendo submetida. E esta intensidade é a capacidade daquela massa de produzir Trabalho, de se Manifestar, de transformar-se e de transformar o seu ambiente em miríades mutantes de formas, conceitos e experiências. 

Em suma, a ENERGIA em potência, quando a MASSA é movimentada, permite a Realização do sentido e da experiência de EXISTIR.

Mas o fundamental nessa manifestação é um outro elemento intrínseco ao Espaço Original que possibilita que todo o processo manifestacional seja gradativo sem o qual, no instante seguinte de se condensar, toda a matéria explodiria pelo total de sua energia como numa bomba atômica, sem nenhum potencial construtivo, manifestacional.

E é por isso que a física caracteriza neste espaço primordial, o Tempo, em um continuum indissociável: Espaço-Tempo.

Sem o Tempo não haveria gradação e então nenhuma possibilidade construtiva e experimental de manifestação.

Por outro lado enquanto estivermos usando a manifestação no giro desse triangulo E-M-V, surgirão todas as experiência típicas do Tempo na constante Roda de Samsara do Nascer-Crescer-Manifestar-Perecer, o que, em termos físicos, se coloca como Lei da Entropia que é a degradação final da Energia e, portanto, da Manifestação, exprimindo assim a Relatividade e a finitude do Universo.

Será esse o objetivo básico da Manifestação: tão somente girar e girar para o Nada, para o Fim, tipo: “é hoje só amanhã não tem mais” ou “pra tudo se acabar na quarta feira”?

Os materialistas acham que sim.
Mas nós aqui dizemos que não!

Isso porque se agora analisarmos o sentido da tríade original E-M-C2 veremos que há aqui uma diferença fundamental em relação à E-M-V pelo fato de incluir C, um termo não relativo, em sua dinâmica. Assim podemos dizer que o C aqui é a presença do Sagrado que impulsiona esse triangulo, não mais num movimento circular relativo e em última instância inconsequente. Temos agora em E-M-C2 uma circularidade em ascensão, uma espiral. 

E a física aqui é muito decisiva quando nos diz que a aplicação da cada vez maior velocidade relativa (V) à massa jamais poderá faze-la chegar à (C) pois que quando mais dela se aproxima a massa tende ao infinito.

Isso é mais um indicador físico do processo gnóstico que nos diz que a dinâmica experimental e transitória dos processos em E-M-V, os processos ditos monistas, evolutivos, jamais podem se transformar no processo dualista libertador E-M-C2 em que o C2 (ao quadrado) nos evoca:

“Se andares uma milha em direção a Mim eu te conduzirei por mais duas”.

Paulo Azambuja





sexta-feira, 10 de maio de 2013

O Bóson de Higgs - A “Partícula de Deus” ou a “Partícula de Authades”?



Amigos:

Trago-lhes um vídeo: "Físico explica o Boson de Higgs a partícula de Deus" , muito didático, em que um cientista explica muito palatavelmente esse tal de “Bósom de Higgs”, chamado pela mídia de a “Partícula de Deus” e que recentemente deu o prêmio nobel de física de 2013 aos seus dois descobridores.

Vou aproveitar a explicação bastante clara do vídeo para fazer algumas reflexões colocando no contexto alguns fundamentos gnósticos.

François Englert e Peter Higgs - Premio nobel física - 2013
Mas antes gostaria de considerar que os cientistas deveriam prestar mais atenção e serem semântica e filosoficamente mais rigorosos com alguns dos termos que usam. Nesse vídeo, por exemplo, ele diz "o espaço VAZIO, CHEIO (!) de partículas (os Bósons de Higgs). A ciência tem que parar de usar inconsistentemente termos como "vazio e nada". Essa é uma terminologia ultrapassada para a própria ciência atual, sendo mais apropriada para o mecanicismo do sec XIX. Aprendam com os mais antigos: "Não há espaço VAZIO"! "Não há o NADA"!

Passo então às seguintes considerações:  

Até então tem se considerado que a MASSA é uma propriedade fundamental dos objetos em manifestação, mas o que foi didaticamente bem colocado no vídeo mostra que não. A propriedade fundamental da manifestação é na verdade a VELOCIDADE.

As diferentes velocidades dos objetos manifestados é que lhes dão suas identidades e variedades fundamentais (seu SER). E só a interação entre suas respectivas velocidades com o ESPAÇO é que lhes dão suas massas, que caracterizam as suas identidades e variedades manifestadas (seu ESTAR).

Uma analogia significativa é considerarmos o espaço-fêmea como um oceano totalmente preenchido por infinitas ovas-quânticas: as “partículas de Higgs” e sobre essas ovas-Higgs o Espírito-macho esparge o seu sêmen-Luz. 
Muitos desses espermatozoides-Fóton passam direto, intocados, enquanto que alguns “penetram” nas ovas-Higgs. Dá-se então a fecundação quântica fundamental gerando a variedade, a diversidade de partículas materiais: o princípio quântico do Universo Imanente.

Portanto a Massa é uma relação entre a seidade - essencialidade - de um objeto e sua peculiaridade de manifestação.

O SER na sua absoluta transcendência é pura Luz.

O primeiro contraste nas primícias da manifestação se faz pela diferenciação básica fundamental: LUZ x TREVAS, ou em termos mais científicos: LUZ x ESPAÇO. Eis a polaridade fundamental, o primeiro casal. (Luz – masc.; Espaço – fem.).

Aqui poderíamos abrir, em desdobramento ao que acabamos de colocar, uns parágrafos para falarmos dos fundamentos sacramentais do verdadeiro e CRIACIONAL Casamento Alquímico. Mas não vamos fazê-lo porque acredito que o atual momento “eônico” não anda muito apropriado para nenhuma abordagem profunda, sacramental, sobre o casamento. Mas fica a referência, pense nela!

A LUZ brilha nas TREVAS, no ESPAÇO, mas não se mistura absolutamente com ele. “A LUZ brilha nas TREVAS, mas as trevas não a reconhecem.”

E isso, em termos físicos, significa que a velocidade da luz é uma constante universal invariável, intocável pelo espaço, isto é, a luz não interage com o espaço, não tem massa. E é aí que encontramos, na física, a constatação científica do dualismo gnóstico - LUZ vs TREVAS.

Mas se as coisas ficassem só nesse ponto: LUZ x TREVAS, a manifestação seria tão somente um eterno, circular e estéril anti-diálogo do EU SOU  com o EU NÃO SEI.

Porisso,  a manifestação só se completa, se dinamiza e se desenvolve num segundo momento da Criação, que é quando a LUZ se doa parcial e diferenciadamente às Trevas.

Em outros termos a Luz perde velocidade!  E aí a Luz vai se diferenciando - SE MANIFESTANDO - nas diversas partículas/onda do espectro quântico e eletromagnético.

A Luz deixa parcialmente de SER (perde VELOCIDADE) para poder ESTAR no espaço (ganha MASSA) e ali criar uma existência dinâmica diferenciada que é o objetivo fundamental da manifestação.

A LUZ se doa, perde-se um pouco, CAI, ganha massa; interage  com o espaço, e essa interação se faz por um freio - que diminui a velocidade e a transforma parcialmente em condensação, resistência, atrito, inércia... - a massa.
Essa resistência é  a partícula de Higgs. 
A LUZ envia seu filho unigênito para fora da CASA DO PAI - o ESPAÇO; encarna-se a partir da imaculada, da intocada LUZ original - aquela de velocidade constante, imutável.

Portanto, pelo exposto, se ainda precisarmos de uma retórica “teológica” para esse assunto, mais apropriadamente, seria chamarmos o Fóton como a “Partícula de Deus” e o Bósom de Higgs a “Partícula da Queda” ou como diriam os gnósticos a “Partícula de Authades”, o Demiurgo de Platão.

Paulo Azambuja


Veja a continuação e o desdobramento dessa postagem em: "E=MC2– A Manifestação e o Retorno"

terça-feira, 30 de abril de 2013

EU LANCEI FOGO SOBRE A TERRA....




"Eu Lancei fogo (a corda) sobre a Terra (o poço) e eis que vigio (zelosa e pacientemente) até que arda.” [Evangelho Gnóstico de Tomé]

Deixamos há muito a estrada da superfície clara e ensolarada de nossa origem para nos escarafuncharmos cada vez mais profundamente num escuro poço.

O Eterno, o Sagrado, através de seus mensageiros sempre nos lançam, uma corda salvadora e cuidam para que, por mais fundo que cavemos, ela seja estendida sempre ao alcance de nossas mãos.

Mas a corda e os fortes e dedicados mensageiros da luz estão ali, na superfície no limiar do poço, cuidando para que nós possamos SAIR e que, pela corda auxiliadora, realizemos, por NÓS MESMOS, uma penosa mas necessária escalada.

MAS NÃO É ABSOLUTAMENTE ESSE O ESFORÇO QUE QUEREMOS EMPREENDER.

Ao contrário. Com os pés cada vez mais atolados no nosso “amado” lodo do fundo queremos usar a corda para arrastar ao nosso nível - consciencial -o mensageiro e com ele também o PRÓRIO SAGRADO.

MAS GRAÇAS A DEUS ISSO JAMAIS CONSEQUIREMOS!

E o suor ácido e fétido que exalamos nesse esforço absurdo se mistura com os gazes ardentes que emanam da lama dos detritos eonicamente acumulados no fundo, tornando cada vez mais insuportável a nossa permanência ali.

E assim é que HOJE chegamos ao mais fundo dessa aflição sem sabermos  

ATÉ QUANDO OS ARTIFÍCIOS DESVIANTES DE  NOSSA ARRAIGADA IGNORÂNCIA PREVALECERÃO?? 

Paulo Azambuja

Um Homem Caiu Num Buraco



Veja Também neste blog: "O Evangelho Gnóstico de Tomé"

domingo, 28 de abril de 2013

O EVANGELHO GNÓSTICO DE TOMÉ



Este texto era desconhecido até ser descoberto na metade do sec. XX nos importantíssimos achados dos códices dos evangelhos gnósticos de Nag Hamadi no Egito. 

O Evangelho Gnóstico de Tomé é hoje considerado por muitos estudiosos acadêmicos especialistas como o proto evangelho do cristianismo do qual todos os demais textos se originaram e que corresponde aos ensinamentos anotados diretamente do Rabí Jesus aos seus discípulos. 

O que é maravilhoso de se constatar numa Gnósis Sagrada é que quanto mais perto os ensinamentos estão do foco de origem - prescindindo assim das posteriores interpretações e apropriações - tanto mais atuais são.

E assim temos que o Evangelho de Tomé por ser o mais antigo é, porisso mesmo, o mais apropriado arauto do Cristianismo Gnóstico Vivo para essa nossa atualidade aquariana. 

Apresento-lhes numa lista de reprodução com clips em quatro partes sucessivas o Evangelho de Tomé narrado em inglês com subtítulos em espanhol:


Eis os 126 ditos do Evangelho Gnóstico e Tomé

Estes são os ensinamentos ocultos expostos por Jesus, o vivo, que Judas Tomé, o gêmeo, escreveu.

(1) E ele disse: “Quem descobrir o significado interior destes ensinamentos não provará a morte.”
(2) Jesus disse: “Aquele que busca continue buscando até encontrar. Quando encontrar, ele se perturbará. Ao se perturbar, ficará maravilhado e reinará sobre o Todo”.
(3) Jesus disse: “Se aqueles que vos guiam disserem, ‘Olhem, o reino está no céu’, então, os pássaros do céu vos precederão, se vos disserem que está no mar, então, os peixes vos precederão. Pois bem, o reino está dentro de vós, e também está em vosso exterior. Quando conseguirdes conhecer a vós mesmos, então, sereis conhecidos e compreendereis que sois filhos do Pai vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis na pobreza e sereis essa pobreza.”
(4) Jesus disse: “O homem idoso não hesitará em perguntar a uma criancinha de sete dias sobre o lugar da vida, e ele viverá. Pois muitos dos primeiros serão os últimos e se tornarão um só.”
(5) Jesus disse: “Reconheça o que está diante de teus olhos, e o que está oculto a ti será desvelado. Pois não há nada oculto que não venha ser manifestado.”
(6) Seus discípulos o interrogaram dizendo: “Queres que jejuemos? Como devemos orar? Devemos dar esmolas? Que dieta devemos observar?”
(127) Jesus disse: “Não mintais e não façais aquilo que detestais, pois todas as coisas são desveladas aos olhos do céu. Pois não há nada escondido que não se torne manifesto, e nada oculto que não seja desvelado.”
(7) Jesus disse: “Bem-aventurado o leão que se torna homem quando consumido pelo homem; maldito o homem que o leão consome, e o leão torna-se homem.”
(8) E ele disse: “O homem é como pescador sábio que lança sua rede ao mar e a retira cheia de peixinhos. O pescador sábio encontra entre eles um peixe grande e excelente. Joga todos os peixinhos de volta ao mar e escolhe o peixe grande sem dificuldade. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”
(9) Jesus disse: “Eis que o semeador saiu, encheu sua mão e semeou. Algumas sementes caíram na estrada; os pássaros vieram e as recolheram. Algumas caíram sobre rochas, não criaram raízes no solo e não produziram espigas. Outras caíram em meio a um espinheiro, que sufocou as sementes e os vermes as comeram. E outras caíram em solo fértil e produziram bons frutos; renderam sessenta por uma e cento e vinte por uma.”
(10) Jesus disse: “Eu lancei fogo sobre a Terra, e eis que vigio até que arda.”
(11) Jesus disse: “Este céu passará, e aquele acima dele passará. Os mortos não estão vivos e os vivos não morrerão. Nos dias em que consumistes o que estava morto, vós o tornastes vivo. Quando estiverdes morando na luz, o que fareis? No dia em que éreis um vos tornastes dois. Mas quando vos tornardes dois, o que fareis?”
(12) Os discípulos disseram a Jesus: “Sabemos que tu nos deixarás. Quem será nosso líder?”
Jesus disse-lhes: “Não importa onde estiverdes, devereis dirigir-vos a Tiago, o justo, para quem o céu e a terra foram feitos.”
(13) Jesus disse a seus discípulos: “Comparai-me com alguém e dizei-me com quem me assemelho.”
Simão Pedro disse-lhe: “Tu és semelhante a um anjo justo.”
Mateus lhe disse: “Tu te assemelhas a um filósofo sábio.”
Tomé lhe disse: “Mestre, minha boca é inteiramente incapaz de dizer com quem te assemelhas.”
Jesus disse: “Não sou teu Mestre. Porque bebeste na fonte borbulhante que fiz brotar, tornaste-te ébrio. (128) E, pegando-o, retirou-se e disse-lhe três coisas. Quando Tomé retornou a seus companheiros, eles lhe perguntaram: “O que te disse Jesus?”
Tomé respondeu: “Se eu vos disser uma só das coisas que ele me disse, apanhareis pedras e as atirareis em mim, e um fogo brotará das pedras e vos queimará.”
(14) Jesus disse-lhes: “Se jejuardes, gerareis pecado para vós; se orardes, sereis condenados; se derdes esmolas, fareis mal a vossos espíritos. Quando entrardes em qualquer país e caminhardes por qualquer lugar, se fordes recebidos, comei o que vos for oferecido e curai os enfermos entre eles. Pois o que entrar em vossa boca não vos maculará, mas o que sair de vossa boca – é isso que vos maculará.”
(15) Jesus disse: “Quando virdes aquele que não foi nascido de uma mulher, prostrai-vos com a face no chão e adorai-o: é ele o vosso Pai.”
(16) Jesus disse: “Talvez os homens pensem que vim lançar a paz sobre o mundo. Não sabem que é a discórdia que vim espalhar sobre a Terra: fogo, espada e disputa. Com efeito, havendo cinco numa casa, três estarão contra dois e dois contra três: o pai contra o filho e o filho contra o pai. E eles permanecerão solitários.”
(17) Jesus disse: “Eu vos darei o que os olhos não viram, o que os ouvidos não ouviram, o que as mão não tocaram e o que nunca ocorreu à mente do homem.”
(18) Os discípulos disseram a Jesus: “Dize-nos como será o nosso fim.”
Jesus disse: “Haveis, então, discernido o princípio, para que estejais procurando o fim? Pois onde estiver o princípio ali estará o fim. Feliz daquele que tomar seu lugar no princípio: ele conhecerá o fim e não provará a morte.”
(19) Jesus disse: “Feliz o que já era antes de surgir. Se vos tornardes meus discípulos e ouvirdes minhas palavras, estas pedras estarão a vosso serviço. Com efeito, há cinco árvores para vós no Paraíso que permanecem inalteradas inverno e verão, e cujas folhas não caem. Aquele que as conhecer não provará a morte.”
(20) Os discípulos disseram a Jesus: “Dize-nos a que se assemelha o reino do céu.”
Ele lhes disse: “Ele se assemelha a uma semente de mostarda, a menor de todas as sementes. Mas, quando cai em terra cultivada, produz uma grande planta e torna-se um refúgio para as aves do céu.”
(129) (21) Maria disse a Jesus: “A quem se assemelham teus discípulos?”
Ele disse: “Eles se parecem com crianças que se instalaram num campo que não lhes pertence. Quando os donos do campo vierem, dirão: ‘Entregai nosso campo.’ Elas se despirão diante deles para que eles possam receber o campo de volta e para entregá-lo a eles. Por isso digo: se o dono da casa souber que virá um ladrão, velará antes que ele chegue e não deixará que ele penetre na casa de seu domínio para levar seus bens. Vós, portanto, permanecei atentos contra o mundo. Armai-vos com todo poder para que os ladrões não consigam encontrar um caminho para chegar a vós, pois a dificuldade que temeis certamente ocorrerá. Que possa haver entre vós um homem prudente. Quando a safra estiver madura, ele virá rapidamente com sua foice em mãos para colhe-la. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.”
(22) Jesus viu crianças sendo amamentadas. Ele disse a seus discípulos: “Esses pequeninos que mamam são como aqueles que entram no Reino.” Eles lhe disseram: Nós também, como crianças, entraremos no Reino?” Jesus lhes disse: “Quando fizerdes do dois um e quando fizerdes o interior como o exterior, o exterior como o interior, o acima como o embaixo e quando fizerdes do macho e da fêmea uma só coisa, de forma que o macho não seja mais macho nem a fêmea seja mais fêmea, e quando formardes olhos em lugar de um olho, uma mão em lugar de uma mão, um pé em lugar de um pé e uma imagem em lugar de uma imagem, então, entrareis (no Reino).
(23) Jesus disse: Escolherei dentre vós, um entre mil e dois entre dez mil, e eles permanecerão como um só.”
(24) Seus discípulos disseram-lhe: “Mostra-nos o lugar onde estás, pois precisamos procurá-lo.”
Ele disse-lhes: “Aquele que tem ouvidos, ouça! Há luz no interior do homem de luz e ele ilumina o mundo inteiro. Se ele não brilha, ele é escuridão.”
(25) Jesus disse: “Ama teu irmão como à tua alma, protege-o como a pupila de teus olhos.”
(26) Jesus disse: “Tu vês o cisco no olho de teu irmão, mas não vês a trave em teu próprio olho. Quando retirares a trave de teu olho, então verás claramente e poderás retirar o cisco do olho de teu irmão.”
(27) (Jesus disse:) “Se não jejuardes com relação ao mundo, não encontrareis o Reino. Se não observardes o sábado como um sábado, não vereis o Pai.”
(130) (28) Jesus disse: “Assumi meu lugar no mundo e revelei-me a eles na carne. Encontrei todos embriagados. Não encontrei nenhum sedento, e minha alma ficou aflita pelos filhos dos homens, porque estão cegos em seus corações e não têm visão. Pois vazios vieram ao mundo e vazios procuram deixar o mundo. Mas no momento eles estão embriagados. Quando superarem a embriaguez, então mudarão sua maneira de pensar.”
(29) Jesus disse: “Seria uma maravilha se a carne tivesse surgido por causa do espírito. Mas seria a maior das maravilhas se o espírito tivesse surgido por causa do corpo. Estou realmente surpreso pela forma como essa grande riqueza fez morada nessa pobreza.”
(30) Jesus disse: “Onde há três deuses, eles são deuses. Onde há dois ou um, estou com ele.”
(31) Jesus disse: “Nenhum profeta é aceito em sua cidade; nenhum médico cura aqueles que o conhecem”.
(32) Jesus disse: “Uma cidade construída e fortificada sobre uma montanha elevada não pode cair nem pode ser escondida”.
(33) Jesus disse: “Proclamai sobre os telhados aquilo que ouvirdes com vosso próprio ouvido. Pois ninguém acende uma lâmpada e coloca-a debaixo de um cesto, tampouco coloca-a num lugar escondido, mas num candelabro, para que todos que venham a entrar e sair vejam sua luz.”
(34) Jesus disse: “Se um cego guia outro cego, ambos cairão numa vala.”
(35) Jesus disse: “Não é possível que alguém entre na casa de um homem forte e tome-a à força, a menos que lhe ate as mãos; então será capaz de saquear sua casa.”
(36) Jesus disse: “Não vos preocupeis de manhã até a noite e de noite até a manhã com o que vestireis”.
(37) Seus discípulos disseram: “Quando tu te revelarás a nós e quando te veremos?”
Jesus disse: “Quando vos despirdes sem vos envergonhardes e tomardes vossas vestes e, colocando-as sobre vossos pés, pisardes sobre elas como criancinhas, então (vereis) o filho daquele que vive e não tereis medo.”
(38) Jesus disse: “Muitas vezes haveis desejado ouvir essas palavras que vos digo, e não tendes outro de quem ouvi-las. Pois virão dias em que me procurareis e não me encontrareis.”
(39) Jesus disse: “Os fariseus e os escribas tomaram as chaves da gnosis. (131) Eles não entraram nem deixaram entrar aqueles que queriam entrar. Vós, no entanto, sede sábios como as serpentes e mansos como as pombas.”
(40) Jesus disse: “Uma parreira foi plantada fora do Pai, porém, não sendo saudável, ela será arrancada pela raiz e destruída.”
(41) Jesus disse: “Quem tiver algo em sua mão receberá mais, e quem não tiver nada perderá até mesmo o pouco que tem.”
(42) Jesus disse: “Tornai-vos passantes.”
(43) Seus discípulos disseram-lhe: “Quem és tu para dizer-nos tais coisas?”
[Jesus disse-lhes:] “Não percebeis quem sou eu pelo que vos digo, mas vos tornastes como os judeus! Com efeito, eles amam a árvore e odeiam seus frutos ou amam os frutos, mas odeiam a árvore.”
(44) Jesus disse: “Quem blasfemar contra o Pai será perdoado e quem blasfemar contra o Filho será perdoado, mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado nem na terra nem no céu.”
(45) Jesus disse: “Não se colhe uvas dos espinheiros nem figos dos cardos, pois eles não dão frutos. O homem bom retira o bem do seu tesouro; o malvado retira o mal de seu tesouro malévolo, que está em seu coração, e diz maldade. Pois da abundância do coração ele retira coisas más.”
(46) Jesus disse: “Dentre os que nasceram da mulher, desde Adão até João, o Batista, não há ninguém superior a João, para que não abaixe os olhos [diante dele]. Mas eu digo, aquele dentre vós que se tornar uma criança conhecerá o Reino e se tornará superior a João.”
(47) Jesus disse: “É impossível para um homem montar dois cavalos ou retesar dois arcos. E é impossível que um servo sirva a dois senhores, pois ele honra um e ofende o outro. Ninguém bebe vinho velho e logo em seguida deseja beber vinho novo. E não se coloca vinho novo em odres velhos, para que não arrebentem; nem se coloca vinho velho em odres novos, para que não o estraguem. E não se cose pano velho em veste nova, porque ela está arriscada a rasgar.”
(48) Jesus disse: “Se os dois fizerem as pazes nesta casa, eles dirão a montanha: ‘Move-te!’ e ela se moverá.”
(132) (49) Jesus disse: “Bem aventurados os solitários e os eleitos, pois encontrareis o Reino. Pois, viestes dele e para ele retornareis.”
(50) Jesus disse: “Se vos perguntarem: ‘De onde vindes?’ respondei: ‘Viemos da luz, do lugar onde a luz nasceu dela mesma, estabeleceu-se e tornou-se manifesta por meio de suas imagens’. Se vos perguntarem: ‘Vós sois isto?’ digam: ‘Nós somos seus filhos e somos os eleitos do Pai vivo’. Se vos perguntarem: ‘Qual é o sinal de vosso Pai em vós?’, digam a eles: ‘É movimento e repouso’”.
(51) Seus discípulos disseram-lhe: “Quando ocorrerá o repouso dos mortos e quando virá o novo mundo?”
Ele disse-lhes: “Aquilo que esperais já chegou, mas não o reconheceis.”
(52) Seus discípulos disseram-lhe: “Vinte e quatro profetas falaram em Israel e todos falaram de ti.”
Ele disse-lhes: “Omitistes aquele que vive em vossa presença e falastes dos mortos.”
(53) Seus discípulos disseram-lhe: “A circuncisão é benéfica ou não?”
Ele disse-lhes: “Se ela fosse benéfica, os pais gerariam filhos já circuncisos de sua mãe. Mas a verdadeira circuncisão, a espiritual, tornou-se inteiramente proveitosa.”
(54) Jesus disse: “Bem-aventurados os pobres, pois vosso é o Reino do céu.”
(55) Jesus disse: “Aquele que não odiar (2) seu pai e sua mãe não poderá se tornar meu discípulo. E quem não odiar seus irmãos e irmãs e tomar sua cruz, como eu, não será digno de mim.”
(56) Jesus disse: “Aquele que conseguiu compreender o mundo encontrou (somente) um cadáver, e quem encontrou um cadáver é superior ao mundo.”
(57) Jesus disse: “O Reino do Pai é semelhante ao homem que tem [boa] semente. Seu inimigo veio durante a noite e semeou joio por cima da boa semente. O homem não deixou que arrancassem o joio, dizendo: ‘temo que acabeis arrancando o joio e também o trigo junto com ele. No dia da colheita as ervas daninhas estarão bem visíveis e serão, então, arrancadas e queimadas”.
(58) Jesus disse: “Bem-aventurado o homem que sofreu e encontrou a vida”.
(59) Jesus disse: “Prestai atenção àquele que vive enquanto estais vivos, para que, ao morrerdes, não fiqueis procurando vê-lo sem conseguir”.
(133) (60) [Eles viram] um samaritano carregando um cordeiro a caminho da Judéia. Ele disse a seus discípulos: “Por que o homem está carregando o cordeiro?”
Eles disseram-lhe: “Para matá-lo e comê-lo”.
Ele disse-lhes: “Enquanto o cordeiro estiver vivo, ele não o comerá, mas somente depois que o tiver matado e que o cordeiro se tornar um cadáver”.
Eles disseram-lhe: “Ele não poderia fazer de outro modo”.
Ele disse-lhes: “Vós, também, buscai um lugar para vós no repouso, a fim de que não vos torneis um cadáver e sejais devorados”.
(61) Jesus disse: “Dois repousarão sobre um leito: um morrerá, o outro viver.”.
Salomé disse: “Quem és tu homem, que … te acomodaste em meu divã e comeste à minha mesa?”
Jesus disse-lhe: “Eu sou aquele que existe a partir do indivisível. Recebi algumas das coisas de meu pai”.
[ ... ] “Eu sou seu discípulo”.
[ ... ] “Por isso digo que, se for destruído, ele estará pleno de luz, mas, se ele estiver dividido, estará pleno de trevas”.
(62) Jesus disse: “Eu digo meus mistérios aos [que são dignos de meus] mistérios. Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita”.
(63) Jesus disse: “Havia um rico que tinha muito dinheiro. Ele disse: ‘Empregarei meu dinheiro para semear, colher, plantar e encher meu celeiro com o fruto da colheita, para que não me venha a faltar nada’. Essas eram suas intenções, mas naquela mesma noite ele morreu. Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça”.
(64) Jesus disse: “Um homem tinha convidados. E quando a ceia estava pronta, mandou seu servo chamar os convidados. O servo foi ao primeiro e disse-lhe: ‘Meu mestre te convida’. O outro respondeu: ‘Tenho dinheiro aplicado com alguns comerciantes. Eles virão me procurar esta noite para que eu lhes dê minhas instruções. Apresento minhas desculpas por não ir à ceia. O servo foi até outro e disse: ‘Meu senhor está te convidando’. Este disse-lhe: ‘Acabo de comprar uma casa e precisam de mim hoje. Não terei tempo’. O servo foi a outro e disse-lhe: ‘Meu senhor está te convidando’. Este disse-lhe: ‘Um amigo vai se casar e coube-me preparar o banquete. Não poderei ir à ceia, peço ser desculpado. O servo foi a outro ainda e disse-lhe: ‘Meu senhor está te convidando’. Este disse-lhe: ‘Acabo de comprar uma fazenda e estou saindo para buscar o rendimento. Não poderei ir, por isso me desculpo’. O servo retornou e disse a seu senhor: ‘Os que convidaste para a ceia mandam pedir desculpas’. (134) O senhor disse ao servo: ‘Vai lá fora pelos caminhos e traze os que encontrares para que possam ceiar. Os homens de negócios e mercadores não entrarão no recinto de meu Pai’”.
(65) Ele disse: “Um homem de bem tinha uma vinha. Ele a alugou a camponeses para que cuidassem dela e pagassem-lhe com uma parte da produção. Ele enviou seu servo para que os arrendatários entregassem-lhe o fruto da vinha. Eles pegaram seu servo e o espancaram, deixando-o à beira da morte. O servo voltou e contou a seu senhor o ocorrido. O senhor disse: ‘Talvez não o tenham reconhecido’. Ele enviou outro servo. Os camponeses também o espancaram. Então o proprietário enviou seu filho e disse: ‘Talvez eles tenham respeito por meu filho’. Como os camponeses sabiam que aquele era o herdeiro da vinha, pegaram-no e mataram-no. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.
(66) Jesus disse: “Mostrai-me a pedra que os construtores rejeitaram; ela é a pedra angular.”
(67) Jesus disse: “Se alguém que conhece o todo ainda sente uma deficiência pessoal, ele é completamente deficiente”.
(68) Jesus disse: “Bem-aventurados os que são odiados e perseguidos. Mas os que vos perseguirem não encontrarão lugar”.
(69) Jesus disse: “Bem-aventurados aqueles que foram perseguidos em seu interior. São eles que realmente conheceram o pai. Bem-aventurados os famintos, porque se encherá o ventre de quem tem desejo”.
(70) Jesus disse: “Aquilo que tendes vos salvará se o manifestardes. Aquilo que não tendes em vosso interior vos matará se não o tiverdes dentro de vós”.
(71) Jesus disse: “Destruirei esta casa e ninguém será capaz de reconstruí-la [...]”
(72) [Um homem disse-lhe]: “Dize a meus irmãos para que partilhem os bens de meu pai comigo”.
Ele lhe disse: “Ó, homem, quem me institui partilhador?”
Voltando-se para seus discípulos, disse-lhes: “Eu não sou um partilhador, sou?”
(73) Jesus disse: “A colheita é grande mas os operários são poucos. Portanto, implorai ao senhor para que envie operários para a colheita”.
(74) Ele disse: “Ó senhor, há muitas pessoas ao redor do bebedouro, mas não há nada na cisterna.”
(75) Jesus disse: “Muitos estão aguardando à porta, mas são os solitários que entrarão na câmara nupcial”.
(135) (76) O Reino do pai é semelhante ao comerciante que tinha uma consignação de mercadorias e nelas descobriu uma pérola. Esse comerciante era astuto. Ele vendeu as mercadorias e adquiriu a pérola maravilhosa para si. Vós também deveis buscar esse tesouro indestrutível e duradouro, que nenhuma traça pode devorar nem o verme destruir”.
(77) Jesus disse: “Eu sou a luz que está sobre todos eles. Eu sou o todo. De mim surgiu o todo e de mim o todo se estendeu. Rachai um pedaço de madeira, e eu estou lá. Levantai a pedra e me encontrareis lá”.
(78) Jesus disse: “Por que viestes ao deserto? Para ver um caniço agitado pelo vento? E para ver um homem vestido com roupas finas como vosso rei e vossos homens importantes? Esses usam roupas finas, mas são incapazes de discernir a verdade.”
(79) Uma mulher na multidão disse-lhe: “Bem-aventurado o ventre que te portou e os seios que te nutrira.”.
Ele disse-lhe: “Bem-aventurados os que ouviram a palavra do Pai e que realmente a guardaram. Pois virão dias em que direis: “Bem-aventurado o ventre que não concebeu, e os seios que não amamentaram”.
(80) Jesus disse: “Aquele que reconheceu o mundo encontrou o corpo, mas aquele que encontrou o corpo é superior ao mundo”.
(81) Quem enriqueceu, torne-se rei, mas quem tem poder que possa renunciar a ele.”
(82) Jesus disse: “Aquele que está perto de mim está perto do fogo, e aquele que está longe de mim está longe do Reino”.
(83) Jesus disse: “As imagens manifestam-se ao homem, mas a luz que está nelas permanece oculta na imagem da luz do Pai. Ele tornar-se-á manifesto, mas sua imagem permanecerá velada por sua luz”.
(84) Jesus disse: “Quando vedes vossa semelhança, vós vos rejubilais. Mas, quando virdes vossas imagens que surgiram antes de vós, e que não morrem nem se manifestam, quanto tereis de suportar!”
(85) Jesus disse: “Adão surgiu de um grande poder e de uma grande riqueza, mas ele não se tornou digno de vós. Pois, se tivesse sido digno, não teria experimentado a morte”.
(86) Jesus disse: “[As raposas têm suas tocas] e as aves têm seus ninhos, mas o filho do homem não tem nenhum lugar para pousar sua cabeça e descansar.”
(87) Jesus disse: “Miserável do corpo que depende de um corpo e da alma que depende desses dois”.
(88) Jesus disse: “Os anjos e os profetas virão a vós e darão aquelas coisas que já tendes. E dai vós também a eles as coisas que tendes e dizei a vós mesmos: ‘Quando virão tomar o que é deles?’”
(89) Jesus disse: “Por que lavais o exterior da taça? Não compreendeis que aquele que fez o interior é o mesmo que fez o exterior?”
(90) Jesus disse: “Vinde a mim, pois meu jugo é fácil e meu domínio é suave, e encontrareis repouso para vós”.
(91) Eles disseram-lhe: “Dize-nos quem tu és, para que possamos crer em ti.”
Ele disse-lhes: “Vós decifrastes a face to céu e da terra, mas não reconhecestes aquele que está diante de vós e não soubestes perceber este momento”.
(92) Jesus disse: “Buscai e encontrareis. No entanto, aquilo que me perguntastes anteriormente e que não vos respondi então, agora desejo vos dizer mas vós não me perguntais sobre aquilo”.
(93) [Jesus disse]: “Não deis aos cães o que é sagrado, para que eles não o joguem no lixo. Não atireis pérolas aos porcos, para que eles …”
(94) Jesus [disse]: “Quem busca, encontrará, e [quem bate] terá permissão para entrar”.
(95) [Jesus disse]: “Se tendes dinheiro, não o empresteis a juro, mas dai-o àquele de quem não o recebereis de volta”.
(96) Jesus disse: “O Reino do Pai é como [uma certa] mulher. Ela tomou um pouco de fermento, [escondeu-o] na massa, e fez com ela grandes pães. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”
(97) Jesus disse: “O Reino do Pai é como uma certa mulher que estava carregando um cântaro cheio de farinha. Enquanto estava caminhando pela estrada, ainda distante de casa, a alça do cântaro partiu-se e a farinha foi caindo pelo caminho atrás dela. Ela não se deu conta, pois não tinha percebido o acidente. Quando chegou em casa, colocou o cântaro no chão e percebeu que ele estava vazio”.
(98) Jesus disse: “O Reino do Pai é como um certo homem que queria matar um homem poderoso. Em sua própria casa ele desembainhou a espada e enfiou-a na parede para saber se sua mão poderia realizar a tarefa. Então ele matou o homem poderoso”.
(99) Os discípulos disseram-lhe: “Teus irmãos e tua mãe estão aguardando lá fora.”
Ele disse-lhes: “Estes que estão aqui que fazem a vontade de meu Pai são meus irmãos e minha mãe. São eles que entrarão no Reino de meu Pai”.
(100) Eles mostraram uma moeda de ouro a Jesus e disseram-lhe: “Os homens de César exigem-nos tributos”.
Ele disse-lhes: “Dai a César o que é de César, dai a Deus o que é de Deus, e dai a mim o que é meu”.
(101) [Jesus disse]: “Quem não odeia (3) seu [pai] e sua mãe como eu não pode se tornar meu [discípulo]. E quem não ama seu [pai e] sua mãe como eu não pode se tornar meu [discípulo]. Porque minha mãe [ ... ], mas [minha] verdadeira [mãe] deu-me a vida”.
(102) Jesus disse: “Ai dos fariseus, porque eles são como um cachorro dormindo na manjedoura dos bois, pois eles não comem nem permitem que os bois comam.”
(103) Jesus disse: “Feliz do homem que sabe por onde os ladrões vão entrar, porque dessa forma [ele] pode se levantar, passar em revista seu domínio e armar-se antes deles invadirem”.
(104) Eles disseram a Jesus: “Vem, oremos e jejuemos hoje”.
Jesus disse: “Qual foi o pecado que cometi ou em que fui vencido? Porém, quando o noivo deixar a câmara nupcial, então que eles jejuem e orem”.
(105) Jesus disse: “Quem conhece o pai e a mãe será chamado filho de prostituta.”
(106) Jesus disse: “Quando fizerdes de dois, um, vos tornareis filhos do homem, e quando disserdes: ‘Montanha, move-te!’, ela se moverá”.
(107) Jesus disse: “O Reino é como um pastor que tinha cem ovelhas. Uma delas, a maior de todas, extraviou-se. Ele deixou as noventa e nove e foi procurá-la, até encontrá-la. Depois de ter passado por todo esse incômodo, ele disse à ovelha: ‘Eu me interesso por ti mais do que pelas noventa e nove’”.
(108) Jesus disse: “Quem beber de minha boca tornar-se-á como eu. Eu mesmo me tornarei ele, e as coisas que estão ocultas ser-lhe-ão reveladas”.
(109) Jesus disse: “O Reino é como o homem que tinha um tesouro [escondido] em seu campo sem saber. Após sua morte, deixou o campo para seu [filho]. O filho não sabia [a respeito do tesouro]. Ele herdou o campo e o vendeu. O comprador ao arar o campo encontrou o tesouro. Começou então a emprestar dinheiro a juros a quem queria”.
(110) Jesus disse: “Quem encontrou o mundo e tornou-se rico, que renuncie ao mundo”.
(111) Jesus disse: “Os céus e a terra se dobrarão diante de vós. E aquele que vive do Vivo não conhecerá a morte. Jesus não disse: ‘Quem se encontra é superior ao mundo?’”
(112) Jesus disse: “Ai da carne que depende da alma; ai da alma que depende da carne”.
(113) Seus discípulos disseram-lhe: “Quando virá o Reino?”
[Jesus disse]: “Ele não virá porque é esperado. Não é uma questão de dizer: ‘eis que ele está aqui’ ou ‘eis que está ali’. Na verdade, o Reino do Pai está espalhado pela terra e os homens não o vêem.”
(114) Simão Pedro disse-lhes: “Que Maria saia de nosso meio, pois as mulheres não são dignas da vida”.
Jesus disse: “Eu mesmo vou guiá-la para torná-la macho, para que ela também possa tornar-se um espírito vivo semelhante a vós, machos.
Porque toda mulher que se tornar macho entrará no Reino do Céu”.