sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Sórdida Espiral da Exceção



Eu era um jovem rapaz durante a ditadura militar.

No apartamento em que morava na Tijuca -Rio- via abaixo de minha janela a relativamente próxima dependência do quartel da PE, onde era sabido se cometiam diariamente as maiores barbaridades em torturas e mortes.

Quase todo dia ao acordar olhava as instalações pela janela sempre com a mesma sensação de impotência e desconforto.

Mas depois o dia seguia... Trabalho, televisão, um cineminha, um chopinho e por fim dormir. 
E aí, ao levantar da cama no dia seguinte, debaixo da mesma janela, repetia o mesmo “ritual” que achava, iludido,  me penitenciava da minha impotência.  

Mas na medida em que os meses e anos se passavam nem mesmo mais olhava por essa janela e tudo passou a se incorporar e se dissolver nas importantes-inúteis e repetitivas lides cotidianas.

Agora, já velho, numa nova espiral, pelas windows do Facebook, assisto, mais cansado, mas com a mesma impotência, aos descalabros desses impunes "quarteis",  jurídicos, políticos e midiáticos, quer ativa ou passivamente, cercados de vergonhosa e sórdida exceção, omissão e covardia.

Quem sabe, com o tempo, acabe também me acostumando?
Ou...
Morrendo!

Paulo Azambuja

quinta-feira, 13 de março de 2014

Adorando um Deus Impostor




Amigos:


A mensagem do vídeo que aqui apresento não é essencialmente para nós gnósticos uma novidade, mas tem em George Kavassilas uma expressividade muito particular porque ele não chegou a isso no sentido mental, intelectual, mas sim o vivenciou desde sua infância em contato com “seres de luz” que pensava serem a representação da verdade derradeira e absoluta. 

Foi quando em 2009 teve uma profunda experiência que se lhe desmascarou a farsa a que estava até então sendo submetido.

Fez então um série de palestras sobre essa experiência que estão editadas em vídeos em sua conta YouTube: George Kavassilas, sob o titulo “Our Journey & The Grand Deception”

Nesse meu blog editei em junho de 2010 uma postagem (“O Segredo do Sagrado") em que tratava, ainda de forma comedida, desse assunto no qual já citava a experiência de Kavassilas

Mais recentemente, em setembro de 2013, na medida em que essas revelações começam cada vez mais a se desvelar coloquei no blog a postagem "Deixando a Falsa Luz Para Traz" com uma experiência parecida vivida mais recentemente pelo esoterista americano Cameron Day

Se você quiser um aprofundamento mais abrangente leia também neste blog as postagens 




Paulo Azambuja

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Um Gnóstico é Aquele Que....




Amigos:

Estou reproduzindo um trecho que esta no meu livro “Atualidade do Cristianismo Gnóstico” que na pag. 33 que comenta o dito de Teodoto acima. 

Coloquei ontem essa trecho na minha LT do FB o que deu a oportunidade de um dialogo com um amigo que reproduzo também mais abaixo. 

Esse texto de Teodoto nos evoca a carta I de Pedro no evangelho que diz: “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional não falsificado para que por ele vades crescendo.”

Passemos então a comentar o texto de Teodoto:

Um gnóstico é aquele que... chegou a compreender, 

Isto é, retomou a consciência de, lembrou-se.
Como na parábola, o Filho Pródigo (Lc. 15, 11-32), que era o filho de um rei, tinha deixado seu reino de origem e estava no momento sob o jugo de um feitor sendo seu zelador de porcos. E assim ficou por muito tempo, dissipando suas energias conscienciais. Até que um dia ele se lembrou, isto é retomou a consciência de... De que?

[de] quem éramos. 

Éramos um ser humano original. Éramos um ser em eterna evolução no que é chamado fartamente nos evangelhos de A Casa do Pai ou o Reino de Deus.

e no que nos tornamos? 

Tornamo-nos no homem mortal preso, como é dito no budismo, na roda de Samsara na qual nascer, crescer, morrer, renascer..., é dor. A roda desse mundo, que não é a Casa do Pai.

Onde estávamos? 

Estávamos, como dissemos, na Casa do Pai. O Filho Pródigo não é nascido e criado no reino do feitor. O filho Pródigo tem uma origem, e essa origem é a Casa do Pai.

E para onde nos precipitamos? 

Para esse mundo, que é um termo muito usado em várias partes do evangelho. 'Meu Reino não é desse mundo', o nosso atual mundo, o nosso atual estado consciencial que gera, como resultante, esse mundo em que vivemos.

De que estamos sendo libertos?

Nós somos prisioneiros. Nós somos completamente prisioneiros! Toda a questão verdadeiramente relig-iosa, verdadeiramente Sagrada, não é uma questão de conservação da prisão, não é uma questão de melhoria da condição do preso - se bem que isso vem em acréscimo a todo o exercício religioso elevado - como diz o Sermão do Monte.

A questão fundamental da relig-ião, e muito especificamente da essência do cristianismo, é a questão da libertação desse mundo e a volta para o outro mundo, o mundo original, a Casa do Pai, como na parábola do Filho Pródigo.

Portanto, estamos sendo libertos do pecado original.

Pecado é uma palavra tão distorcida por esses dois mil anos que hesitamos em usá-la. Mas temos que usá-la, porque o seu sentido original é muito interessante e profundo. A palavra pecado quando originalmente usada nos textos evangélicos e apócrifos era a palavra grega “harmatia”. Essa palavra grega, que se transformou na palavra pecado e no sentido distorcido que agora traz, era uma palavra muito significativa para descrever de que estamos sendo libertos. Estamos sendo libertos de um erro original. E que erro foi esse? Esse erro foi a harmatia que era um termo usado para designar quando um arqueiro errava o alvo. Portanto harmatia é erro de alvo, perda de objetivo, desvio de um objetivo, de uma evolução.

Desviamo-nos de um alvo e assim pecamos, nesse sentido, de uma forma original, fundamental. E a partir desse pecado original, e por causa dele, nos aprisionamos nesse mundo, nesse estado de consciência. E sendo assim deveremos, primeiro que tudo, ser libertos do pecado original, isto é, do desvio de alvo que originalmente a consciência empreendeu, para que possamos retornar ao nosso mundo de origem.

Pecado, portanto, não é essencialmente uma deficiência de atitude, mas uma deficiência de estrutura, de fundamento.

O que é nascimento? 

Nascimento é a entrada na vida mortal do Filho do Homem ou, como diz Paulo, do Filho do Pecado.

E o que é renascimento? 

É a ressurreição consciencial do Filho de Deus. É o objetivo final que o cristianismo veio empreender para esses tempos.

O cristianismo (acima de qualquer denominação institucional) é o libertador da alma do homem, aprisionada nesse mundo por força de um estado consciencial de desvio de objetivo - a harmatia, o pecado original - e, desse erro, que ocasionou o estado de consciência e consequentemente o estado de mundo da morte, seremos resgatados pelo renascimento ou ressurreição, em nós, do estado de consciência original, anterior ao erro do alvo.

Isso, em resumo, é o que esse significativo texto de Teodoto nos diz, desde o ano 150 para nossa referência atual. 

Reiterando mais uma vez: o cristianismo do princípio é um cristianismo vivo, eterno, atual e está sendo redescoberto em toda a sua plenitude.

Segue-se o diálogo sobre esse texto que tive com um amigo do FB:

João Cláudio: Só que o que os gnósticos sempre disseram Paulo foi que o 'pecado original' não foi do Homem ( Antropos ) , simbolizado por Adão e Eva, mas sim da própria Divindade, ou um aspecto Seu , Sofia ... foi Sofia quem 'caiu' , e por causa disso , o Demiurgo veio a existir e , através dele e de seus asceclas , os arcontes , esse mundo decaído foi criado ... esse foi o 'erro do alvo ' original ... esse mundo em que vivemos , essa prisão , a 'Matrix' é o resultado.E é disso que temos que ser libertos 

Paulo Azambuja:  Oi João. Num contexto tão rico como o gnosticismo sempre houve variantes de interpretação em alguns pontos (não na essência mas em alguns aspectos também importantes). Assim também ser gnóstico é pensar e sentir a gnósis dentro de si e Hoje. Sendo assim mesmo que os gnósticos anteriormente sempre dissessem algo, o que, como disse, não foi o caso porque muitas vezes não há essa unanimidade; hoje, na "atualidade do cristianismo gnóstico" em cada um de nós podemos verificar DENTRO alguns aspectos e o que assim for percebido compartilha-lo. No entender do texto que coloquei (e isso traz implicações profundas sobre a responsabilidade-alma de cada um de nós e no entendimento do "processo de volta") o ser humano original não é um fantoche passivo perante a MANIFESTAÇÃO mas ao contrário é co-responsável por seu desdobramento e também pelos desvios que ajudou a criar sobre esses desdobramentos. Nesse sentido o ser humano original - de vontade própria - aceitou cair junto. (Há outra humanidade original que não aceitou cair ). Em consequência disso é a própria alma humana que tem que aceitar a volta - também de vontade própria (em auto endura - entrega). Na parábola do filho pródigo, acredito que esteja bem clara a sua responsabilidade em todo o processo.

João Cláudio:  Eu discordo, Paulo. Acho que esse não é o mito gnóstico original , acho que essa é a visão ortodoxa. Mas , tudo bem .Eu entendo que nós temos que ser ativos no processo de libertação, e que depois da Queda de Sofia e da criação desse mundo, nós contribuímos muito para a atual situação de caos e sofrimento , através das nossas ações inconscientes e mecânicas . Mas , esse mundo já estava corrompido e imperfeito muito antes de qualquer um de nós 'descermos' pra cá... o sofrimento já existia entre os animais , por exemplo ( sem falar em outros seres mais sutis , como elementais , anjos , demônios , deuses , Aeons e Arcontes ).Eu não me lembro de ter aceitado cair junto com ninguém... enfim, já que estamos aqui , agora é vermos como saímos.

Paulo Azambuja: Oi João. É muito interessante pois esse nosso diálogo aqui reproduz de alguma forma as correntes gnósticas chamadas dualistas radicais e as chamadas dualistas mitigadas. É assim mesmo. Uma vez quando ainda bem mais jovem recém participava de um grupo gnóstico o assunto "queda" estava sempre na ordem do dia do tipo "por que o homem caiu?" "por que deus deixou?" "Se voltar vai poder cair de novo?" e especulações clássicas desse tipo. Numa palestra que assisti ministrada por um senhor mais velho e com uma referência bem mais profunda do gnosticismo ele passou a ser açodado por uma torrente de aflitos questionadores sobre esse teor. No inicio chegou a tentar elaborar algumas idéias em resposta mas chegou em um determinado momento encerrou o assunto dizendo: " Olha eu não sei porque nem como caiu, não estava lá, mas o que eu sei hoje aqui agora com toda a certeza é que cair caiu! Então vamos continuar a palestra desse ponto e verificar como resolver essa bagunça.

João Cláudio: Bem, sob o ponto de visto teórico e histórico , eu continuo discordando, Paulo. Hoje em dia parece haver um consenso entre os acadêmicos que estudam o 'Gnosticismo' ( até mesmo esse termos, como você sabe, vem sendo questionado , já que ele foi um conceito desenvolvido no século 18, se não me engano ) afirmando que os Gnósticos propriamente ditos eram os chamados Sethianos ou Barbelognósticos, e que foi a partir deles que o mito fundamental dos gnósticos foi descrito, a versão alternativa do Gênesis e sua releitura, como descritos no Livro Secreto de João , a Realidade dos Arcontes , a Revelação de Adão, e outros textos Sethianos. Os chamados 'dualistas mitigados' eram, basicamente , os Valentinianos , que eram explicitamente cristãos (os Sethianos eram judeus platônicos) e tinham uma visão menos negativa do Demiurgo e do mundo (cosmos) , mas mesmos eles seguiam o 'script' original da queda delineado pelos Sethianos , basicamente o 'drama de Sofia'. Talvez os estudos sobre os gnósticos tenham avançado desde a sua juventude, Paulo ...mas , como você bem colocou , a questão para nós que estamos aqui e agora nesse mundo decaído é , como subir de volta ...? Mito , e os gnósticos mais que todos eu acho, servem para dar asas às nossas almas, expandir as nossas mentes e estimular nossas imaginações , e não nos prender em mais dogmas... escreva o seu próprio evangelho, viva o seu próprio mito!

Paulo Azambuja: O que mais espero que tenha acontecido não é que meus estudos gnósticos tenham avançado desde minha juventude mas sim que agora, já na 3a fase da vida, tendam a ser transcendidos. Porque penso que os estudos, inclusive os gnósticos, são tão somente setas (importantes) de "siga em frente". O gnosticismo não é uma ciência e menos ainda uma ciência exata. Tenho tido oportunidade de me situar em relação ao que entendo e principalmente ao que pretendo praticar em relação a gnósis - e não foi outro o meu objetivo ao empreende-lo - nos artigos que redijo, traduzo ou seleciono no meu blog. Dentre esses o mais acessado é o "O Segredo do Sagrado". Na segunda parte dessa referida postagem coloco um texto que fiz como apresentação para o lançamento do livro "Atualidade do Cristianismo Gnóstico" realmente acho que ali situo bem o meu pensamento e realço aqui quando falo das três formas (ou mesmo gradações) em que a gnósis hoje em dia esta se apresentando em mais ampla divulgação. 

O primeiro nível ao qual me refiro como "gnose-Dan-Brown", um segundo nível ao que me refiro como "a gnose acadêmica" : ' É a gnose acadêmica que nos permite hoje afirmar de forma incontestavelmente objetiva que o cristianismo gnóstico não é uma elaboração tardia entremeada de retalhos, feita a partir de idéias helenistas e de outras origens “pagãs’ acrescentadas posteriormente ao pré existente “verdadeiro cristianismo”, mas sim uma prática cristã autêntica ocorrida a um significativo número de pessoas desde os primeiros momentos da manifestação crística do primeiro século concomitante às formações ortodoxas... No entanto a gnose acadêmica se limita a elaborar estudos e conclusões dentro dos cânones reducionistas da prática científica. Não tem amplitude, por exemplo, para considerar como causa de uma autêntica manifestação gnóstica uma revelação subjetiva intensa e transformadora. Não cabe aqui nada de transcendente!' por terceiro me refiro a gnose espiritual sagrada: 'E essa Gnose, como a divulgamos nos fundamentos desse livro, se refere à determinação do espaço do Divino, do Sagrado, assim como ao estado e ao papel de nossa limitada e exaurida consciência egóica atual quando enceta o processo de re-lig-ação ao seu estado original.'

João Cláudio: Só um adendo : Em termos da 'Gnose Acadêmica ' , como você chama muito apropiadamente esse estudo acadêmico do 'Gnosticismo' Paulo , eu gostaria de citar nessa nossa conversa essa outra excelente entrevista , como o Professor Birger Pearson , que eu pessoalmente gosto ainda mais do que a do Prof. Brakke . http://www.youtube.com/watch?v=V_PYKZemDCI

Mas , concordo com você que o mais importante sem dúvida é a experiência da Gnose Sagrada , e essa é única para cada indivíduo , embora compartilhando uma certa visão de mundo em comum ( porque , como você sabe , quando tudo é 'gnose' , nada é ...) .Mas , é como na música , um mesmo tema pode ser interpretado com quase infinitas variações , embora nós saibamos reconhecer qual música está tocando ...pra quem tem ouvios para ouvir , claro ...só mais uma coisa : Quem acrescentou os mitos pagãos à estória de Jesus foram justamente os ortodoxos... mas, essa já é outra conversa.  Um prazer e uma honra conversar com você, Paulo. Abraço.

Paulo Azambuja: Pois é João que bom seria se todo o diálogo fosse do teor do que nós estamos empreendendo. Certamente com todo o 'direito divino' sigamos em frente com a nossa gnósis. Lá no centro dessa espiral esta certamente o SAGRADO esperando-nos para festejar nosso "retorno à Casa do Pai". 
Um abraço


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Uma síntese gráfica para os fundamentos ontológicos do cristianismo gnóstico


Amigos:
Entre os buscadores, interessados e participantes de ideias e movimentos relativos à espiritualidade apresenta-se uma grande babel ontológica na qual termos como: “Deus” “Nada”, “transcendência”, “luz”, “amor”.... são usados, tanto para afirma-los quanto para negá-los, com semânticas completamente diferentes e em estruturas de percepção particulares e normalmente díspares.

Não desejando cair, e possivelmente assim me perder e confundir o leitor, num texto longo “filosófico” ou “teológico” sobre essa questão, me propus simplesmente a estabelecer um esquema gráfico e sintético no qual cada um desses principais termos-conceitos ocupa sua posição, representando seu status ontológico nos fundamentos de nossa percepção da gnósis cristã e, assim sendo, os usaremos sempre obedecendo esse padrão de referência o que mostrará sem ambiguidades o que entendemos com cada um deles. 

Certamente outras estruturas de crença poderiam ser representadas reposicionando, acrescentado e excluindo algumas das estruturas e termos constantes no nosso gráfico e assim poderíamos mais fácil e objetivamente verificar as similaridades e diferenças entre nossos fundamentos. 

O "reino do pai tem muitas moradas" e que assim abrigam muitas e diversas formas de consciência que, sendo muitas, são certamente diferentes entre si. 

Portanto, não é tudo a mesma coisa. 


Eis os gráficos:


Paulo Azambuja

sábado, 4 de janeiro de 2014

ALÉM DA CRENÇA: UMA ENTREVISTA COM ELAINE PAGELS

Amigos

Originalmente fiz essa tradução e publiquei na minha Linha de Tempo do FB. Como este texto foi bastante visto e comentado trago-o para o blog junto com alguns desses comentários

Traduzi e divulgo esse texto pois considero muito importante que as pessoas que se interessam pelos fatos históricos, arqueológicos e de religião comparada ("Relig-ião" no seu verdadeiro sentido, não institucional) tenham acesso a cientistas realmente qualificados ao invés de palpiteiros de ocasião com seus best sellers sobre origens características e existência da “gnósis”, “jesus” ... 

ALÉM DA CRENÇA: UMA ENTREVISTA COM ELAINE PAGELS

Dra Elaine Pagels
"Pagels é Professora de religião na Universidade de Princeton, e Ph.D. pela Universidade de Harvard.

Em Harvard ela fez parte de um grupo que estudou os rolos de Nag Hammadi. Dessa experiência resultou a base para o seu primeiro livro Os Evangelhos Gnósticos (The Gnostic Gospels,1979). Esse livro é uma introdução aos textos de Nag Hammadi para o público leigo e é, desde o seu lançamento, um best-seller. Nos EUA, ganhou os prêmios National Book Critics Circle Award e National Book
Livraria Saraiva
Award e foi escolhido pela Modern Library como um dos 100 melhores livros do século XX. No livro ela argumenta que a Igreja cristã foi fundada em uma sociedade que expunha numeráveis pontos-de-vistas contraditórios. O gnosticismo era um movimento não muito coerente e havia algumas áreas de desacordo entre as diferentes facções. O gnosticismo atraiu as mulheres em particular devido à sua perspectiva igualitária que permitia a sua participação em rituais sagrados."

Eis a entrevista de Elaine Pagels a Bill Moyers :

Pagels : Obrigado.

MOYERS :. O que é o Evangelho secreto de Tomé ?

Pagels : O Evangelho de Tomé é um texto bastante surpreendente. Consiste em apenas ... 

Editora Objetiva
Ele começa com as palavras: " Estas são as palavras secretas que o Jesus vivo falou e que Tomé anotou. "E todo ele são palavras de Jesus. Mas, diferentemente dos evangelhos do Novo Testamento, como o de Mateus e Lucas, este não traz um ensinamento público, mas sim ditos secretos. Fala sobre um Jesus que fala sobre cada um de nós a partir da luz primordial de Deus. Ele fala sobre todos os seres que vêm de Deus. O Evangelho de João do novo testamento diz que Jesus é a luz . Tudo se refere a Jesus . Jesus ensina que você tem que acreditar em Jesus, que você tem que seguir a Jesus. Mas o Evangelho de Tomé não é sobre isso .

Aqui Jesus fala sobre um caminho. E diz: "Você tem que encontrar o seu caminho. Você pode encontrar a luz divina dentro de si mesmo. Dentro de todos. Dentro de todo o ser."

MOYERS : Porque esse evangelho foi por tanto tempo desconhecido ? Não detectado ? Despercebido ?

Pagels : Bem, este evangelho tem um mistério por trás dele. Porque, aparentemente, este e muitos outros estavam circulando entre os cristãos logo no início do movimento. Mas ele desagradou muito a algumas autoridades da Igreja. Então, um dos arcebispos, no ano 367, escreveu uma lista para os monges no Egito e disse: "Livrem-se de todos aqueles livros secretos ilegítimos de que vocês tanto gostam. E mantenha só esses. " E aqueles que ele disse para manter são os que chamamos de Novo Testamento.

Todos os outros livros, incluindo o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Filipe ,o Evangelho de Maria Madalena e muitos outros, foram queimados, jogado fora, e assim por diante. Mas alguém desobedeceu ao arcebispo. E em vez de queimá-los enterrou-os aonde eles foram encontrados em 1945.

MOYERS: Então, você acha que o Evangelho de Tomé, que estava escondido por todos esses anos, pode muito bem ter sido escrito ... provavelmente foi escrito por alguém próximo a Jesus, ou que conhecia alguém próximo a Jesus?

Pagels: Nós não sabemos quem escreveu este Evangelho assim como não sabemos quem escreveu qualquer um dos outros, na verdade. Eles são todos atribuídos a discípulos. Mas nós não sabemos.

Não é improvável - ou, dito de outra forma - é provável que alguns dos ditos aqui sejam palavras que Jesus falou. Na verdade, muitos dos ditos são os mesmos que você vai encontrar no Evangelho de Mateus e Lucas, no Novo Testamento. Mas alguns deles são bastante diferentes. Eles não são simples. Eles são uma espécie de quebra-cabeças. São “koans”. São feitos para provocar um atrito interior.

MOYERS: 'Koan' - esse é um termo budista, não é?

Pagels: Sim, é um termo budista. Isso significa que não é um ditado claro. Mas é uma frase enigmática. É poderoso. Nestas palavras, Jesus diz coisas como: "Se você manifestar o que está dentro de você, o que você manifestar o salvará. Se você não manifestar o que está dentro de você, o que você não manifestar o destruirá."

Então quando eu ouvir esse dito, eu penso: "Eu não tenho que acreditar nisso. Eu só sei que isso é verdade.” E isso pode ser verdade a nível psicológico. E eu acho também é verdade em um nível espiritual. Que nós precisamos encontrar os recursos espirituais dentro de nós mesmos. E de acordo com esse tipo de fonte, a razão que podemos encontrar dentro de nós mesmos, é a que virá a partir dessa fonte.

MOYERS: Por que o Evangelho de Tomé não é um texto oficial da Bíblia assim como Mateus, Marcos, Lucas e João?

Pagels: Isso faria a Bíblia muito mais interessante. Mas acho que as pessoas como o arcebispo que chamou os livros como estes Evangelhos secretos de ilegítimos, achavam que era muito perigoso dizer: "Bem, você pode sair e encontrar Deus em seu próprio interior. Você não precisa das crenças que a Igreja estabelece. Você não precisa do Bispo, você não precisa ir para a igreja. Você não precisa ser batizado.” Isso quer dizer que você pode tornar a igreja menos importante. E não seria um arcebispo que teria tal clareza de disposição.

MOYERS: Então, isso foi em que ano?

Pagels: Foi o ano 367 depois que a igreja se tornou a religião do Império Romano. Era o início do estabelecimento do cristianismo imperial.

MOYERS: E ...

Pagels: E foi nesse ponto que o Novo Testamento como o conhecemos foi moldado. Então, este livro é sobre o cristianismo como o conhecemos foi configurado. É uma tradição bastante notável. Mas há muito coisa que foi deixada de fora. E é isso sobre o que eu estou escrevendo.

MOYERS: O que isso lhe diz este Evangelho de Tomé, sobre a história do movimento cristão?

Pagels: O que muito me aqui fascina é quanto o cristianismo se transformou em um conjunto de crenças como, se as pessoas dizem: "Você é cristão?" E se, em seguida, você diz: "Bem, o que você quer dizer com isso?" E então eles usualmente costumam dizer coisas tal como: "Bem, você acredita que Jesus é ... sei lá ... o filho de Deus."

***
Seguem alguns comentários: 


Comentário de Euclides Bagatoli:  Budha viveu há seis mil anos e nós conhecemos seus ensinamentos e os praticamos; Sócrates e Platão - sabemos dos seus ensinamentos, os quais não diferem dos de Budha, em essência; Sabemos, de outros modernos - Ramana, Balsekar, Osho e tantos outros, e praticamos seus ensinamentos, que são direcionados ao despertar do ser humano. 

Sabemos, inclusive, de Maomé e conhecemos os de Jesus. Pergunto, o que é que a Igreja Católica ensina no sentido da auto salvação? Talvez seja por esta razão que aguardam o retorno de Jesus - as pessoas estão com sede da verdade. Poderiam matá-la, buscando na presença, na fala gravada em vídeo e nas palavras escritas dos Mestres a que nos referimos ou em outros, mas a Igreja os refuta, taxando-os disso e daquilo.


Comentario - Paulo Azambuja: Pois é Euclides. Como a Dra Pagels aborda nessa entrevista, a partir do sec. IV Constatino, o Imperador Romano, incorporou e oficializou a crença cristã e contemplou dentre os vário grupos cristãos pre existentes (muitos deles gnósticos como os de Valentino) aqueles grupos ortodoxos como os sucessores das idéias do bispo de Lyon, Irineu, e outros afins e assim fundou o "cristianismo imperial" que hoje, já moribundo, ainda é mais representado pela igreja romana. 

Portanto quando hoje falamos, por exemplo: "Eu sou Cristão", essa afirmação esta completamente comprometida com as graves deformações dai decorrentes, embora o gnosticismo historicamente já existisse antes da igreja imperial romana. 

Foi por isso que quando os Cátaros reviveram no sec. XIV aquele sagrado cristianismo original acabaram massacrados pelos exércitos do Papa. 

O que ocorre no entanto é que, poucos sabem, o cristianismo original tem um tesouro de grandes VERDADES exatamente apropriadas para essa nossa transição atual, pois foi para preparar a humanidade para essa transição apocalítica que Cristo se manifestou em Jesus. E é nos inteirando desses tesouros, que estavam em sua maioria perdidos e que foram recuperados com o achado dos Evangelhos gnósticos em 1945 numa caverna no Egito, que redescubriremos essa Gnósis Cristã de origem e sua atualidade e propriedade na nossa situação do mundo atual.

Comentario - Paulo Azambuja: Para os que leram o texto acima gostaria de fazer uma ressalva ao que Pagels diz sobre o Ev. de Joao: "O Evangelho de João do novo testamento diz que Jesus é a luz. Tudo se refere a Jesus. Jesus ensina que você tem que acreditar em Jesus, que você tem que seguir a Jesus." 

Na verdade é um pouco sutil essa questão de Jesus SER a LUZ o que em última instância remete para uma confusão generalizada Sobre Jesus-Cristo. Cristo é a LUZ! Não Jesus! Jesus é o HOMEM QUE SE CRISTIFICA, isto é que MANIFESTA, REFLETE limpidamente a luz que não é dele mas de CRISTO ao qual ele se integrou. "Porque me chamas de "bom mestre" não há um bom sequer". "Vocês podem fazer mais que eu".

Veja também neste blog:

O EVANGELHO GNÓSTICO DE TOMÉ

O Filho do Homem se TornaFilho de Deus

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Nossa Responsabilidade Política Aquariana

Site de Matias De Stefano http://www.ghan.com.ar/

Amigos: 

Todos os que reservam um pouco do seu tempo, observação e inteligência para se inteirar dos rumos políticos e econômicos que já estão, tanto na Europa como nos EUA (e na verdade no Hemisfério Norte Ocidental em geral), sob a total grande-farsa da estratégia de concentração de renda e de domínio de uma elite eônica “iluminada” tipo nova-ordem sabem bem qual é o papel fundamental que tem os políticos, como os agentes, e a grande imprensa, como o verdadeiro “ministério de propaganda”, dessa elite e de seus projetos.

Site de Matias De Stefano http://www.ghan.com.ar/
Nós aqui no Brasil, como cidadãos do maior e mais populoso pais do Hemisfério Sul Ocidental, temos uma obrigação especial de prestar muita atenção aos rumos e às interferências que os títeres dessa globalização, atuando aqui em nossa politica e em nossa mídia como parceiros dessa elite eônica “iluminada” mundial, estão engendrando. 

Só assim fazendo contribuiremos para preparar o Brasil, deixando o livre (relativamente, pelo menos) de governos diretamente subordinados a esse domínio e assim sermos dignos de nosso destino aquariano como nação, já há muito profetizado. 

Tal, inclusive, recentemente, Matias Stéfano tem bem proclamado em suas palestras colocando-nos como o “Portal de Acolhimento” para a grande movimentação social e geográfica rumo ao SUL que a situação do mundo, no desdobrar desse século, empreenderá. 



Nesse sentido minhas postagens e compartilhamentos, nos aspectos econômicos e políticos, tem a intenção de contribuir para ilustrar esse teor e essa perspectiva. 

Acredito mesmo que aqueles que se estagnarem nos paradigmas e rótulos políticos, econômicos e sociais piscianos tais como: esquerda-direita; capitalismo-comunismo; salvadores-vilãos... ou os que se colocarem numa das inúmeras possíveis atitudes de distanciamento do tipo “alienado-ommm” serão tragados logo nas primeiras marolas que precederem esse imenso tsunami dessa iminente mobilização mundial.

Leia com bastante atenção: Instabilidade Planetária


Paulo Azambuja

domingo, 17 de novembro de 2013

"Ai de Vós Escribas e Fariseus Hipócritas!"


Nos últimos dias tenho me manifestado no FB sobre o que considero os desmandos jurídicos, políticos e midiáticos que eu, como participante da sociedade (brasileiro, casado, CPF:0000000, IFP:99999999) analiso e me posiciono com uma veemência que considero proporcional ao achaque observado.


Em consequência isso gerou - de alguma forma já o esperava - uma reação de amigos que consideraram essa manifestação como um desvio "dialético" (lembram?) grave da minha proposta espiritual que dá inclusive nome a esse blog "o Cristianismo Gnóstico", como faz supor as "!!!" da pergunta abaixo. 

Surgiu assim uma boa oportunidade de me manifestar sobre "qual é a minha" e porque coloco muitas vezes nesse blog alguns temas "dialético-mundanos" o que já tem sido considerados por uns - talvez mais orientalistas ou áureos - como não apropriados. 

Então aí vai:


Pergunta de um amigo: Num tô te entendendo Paulo! - Aliás, muitos de nós não estamos sacando qual é a sua! - Estás apoiando a "corja" do PT? - Diga-nos, por favor!!!

Sou pessoa apolítica e não gosto dessa "coisa". Sabemos que tais "poderes" são controlados por "forças retrógadas". Estás engajado nesta coisa? - Pode nos dizer? - Grato!

Minha resposta: Estou engajado na questão relativa à lavagem cerebral pela mídia que é parte fundamental da Grande Farsa que esta em pleno desdobramento e que conduz uma multidão de zumbis a exaltadamente participar, como nesse caso recente, de farsas político/jurídicas com motivos de apontar e deturpar somente os eventos que lhes são convenientes para ampliar o seus "poderes retrógados" de controle e dominação. 


Quanto à política em si cabe dizer o seguinte: Estou encarnado. Não sou orientalista, sou cristão - e aí vai uma oportunidade para marcar bem essa diferença. Portanto sei, respeito e estou muito atento ao fato de que minha vida atual - nessa dimensão - (SIM estou e estamos AQUI - não é mentira não!) não é como se diz imprecisamente tão somente uma "ilusão" a ser deixada pra lá, pois na verdade o ilusório não é o mundo em si mas a maneira como indevidamente agimos como se ele fosse absoluto. Embora certamente seja transitório e limitado, como cristão tenho que entender que minha alma desceu "aos infernos" ou mais apropriadamente "à transitoriedade, à limitação intrínsecas" dessa dimensão e está agora aqui com um objetivo de DAQUI, DESSE MUNDO E COM ESSE MUNDO (não o abstraindo e nem fugindo dele - e, de resto, pensar que se possa faze-lo, isso sim, é a verdadeira ilusão dos "nova-era-OMMM"), permitir e atentar para que seja construído o caminho de LIBERTAÇÃO - TANTO DA ALMA (O NOVO HOMEM) QUANTO TAMBÉM DO MUNDO (O NOVO MUNDO). E isso não se faz com indiferença sobre muitas das "coisas" que pessoal, psíquica e socialmente se nos apresentam AQUI, exigindo-nos posições e atitudes práticas e não fugas, quer sejam por drogas ou por alienação falsamente religiosa ou esotérica. 

Em suma: "Dai a César o que é de César - porque se não o fizer conveniente e sabiamente não saberá e não poderá - dar a Deus o que é de Deus". Ou também: "Afasta de mim essa cálice, MAS seja feita a sua vontade e não a minha".


Tenho sim título de eleitor e dentre as "coisas" que socialmente tenho (por auto obrigação)  que fazer aqui, encarnado é decidir, dentro da minha transitoriedade e limitação, sem a ingênua pretensão de soluções políticas definitivas e dentro da época em que vivo e, mais ainda, das condições culturais e históricas vigentes no Brasil nos últimos 50 anos - o que talvez você, que é bem mais novo que eu, não tenha experimentado na carne, é tomar, a cada oportunidade que se me apresenta, as decisões e ações NO MUNDO que acho convenientes, e também me dar ao direito de expressa-las sempre que achar apropriado. 

Sacou? 

Deixo por fim uma questão: 

Quando Jesus pegou a vara e destruiu a barraca dos vendilhões do templo, quebrando os "vidros" de suas mercadorias e fazendo um discurso inflamado sobre aquela "corja" dos fariseus hipócritas ou quando argumentou com o popular presidente do STF da época, Caifás, ou quando foi preterido pela interferência do midiático globalista romano Pilatos que conseguiu jogar a maioria-zumbi enfurecida a favor de Barrabás, levando assim - Graças a Deus - à sua morte na Cruz... 

Será que teria sido melhor que Ele não tivesse se envolvido em todas essas "coisas"?


Paulo Azambuja