domingo, 6 de setembro de 2015

POLÍTICA E A "GRANDE TRIBULAÇÃO"






UM DIÁLOGO:

Amigo: Existe alguma relação digamos assim direta, entre "espiritualidade" e esses assuntos? Sei que existe uma ligação, mas fico por exemplo, buscando um viés espiritual para entender esse momento do pais, governo e etc. essa mudança de era causa algum efeito nesse processo? Porque e como isso acontece?

Paulo Azambuja: Todo o sentido do cristianismo na sua essência, e aí difere bem das outras propostas espirituais principalmente as orientais, é que Jesus é uma encarnação do Logos Cristo. Isso significa que o cristianismo é a espiritualidade que inaugura uma era em que a humanidade na Terra tem que dali ser mobilizada para se preparar e preparar a Terra inteira para um salto qualitativo espiritual de consciência. 

Daí os símbolos fundamentais do cristianismo mostrando a atuação direta de Jesus junto ao povo "criticando" inclusive diretamente os desvios como os dos fariseus o que resultou numa grave infração política da época (a religião, a política e a justiça convergiam para um único poder - os sacerdotes do Sinédrio) e assim Jesus foi interrogado, julgado, sentenciado e crucificado pela sua ação contrariando diretamente o poder secular. 

Agora, eu não estou dizendo que essa atuação de Jesus pode ser entendida (como acontece por muitos de esquerda) como uma atuação voltada a mudar o poder secular opressor dominante. Embora, certamente quando a mudança crística acontecer, todas as coisas mudarão em conformidade com essa nova consciência-espírito. 

A mobilização de Jesus tocava e incomodava profundamente os poderes sim, mas na verdade não era para uma mudança de doutrina ou de estrutura política, mas sim para um processo de conscientização da condição limitada do homem de modo a que pudesse se preparar e aceitar a mudança fundamental que profeticamente era apontada como fim dos tempos. 

Esse assunto do verdadeiro papel no mundo que uma pessoa que se prepara espiritualmente deve ter se resume na frase: "Dai a César o que é de César"; ou segundo o Evangelho Gnóstico de Tomé : "Eu vim jogar fogo sobre a Terra e vigio até que arda"

Amigo: Fico me perguntando se essas leis e esses processos de governo, principalmente o Realismo no caso das relações internacionais da guerra para a paz se fazer em algum momento necessário. Não estou defendendo a guerra, estou só querendo entender se esse poder politico deve ter uma "reforma" mais séria no sentido mais amplo.

Paulo Azambuja: Na minha conta do FB, como qualquer cidadão, e mais ainda, sempre sabendo aonde poderiam ir (e certamente irão) as condições de caos e violência que põe fogo no mundo, claramente me posicionei e me posiciono em relação ao que acho seja o melhor, não para resolver, pois não vai ser resolvido nada pelos velhos métodos, mas para melhor gerenciar a crise humana da Grande Transição, tanto local como global, da sociedade em que estou envolvido diretamente como cidadão. 

Nessa transição não há mais que se falar em esquerda ou direita, pelo menos nos velhos termos, mas sim na política trata-se de escolher entre um grupo que se comprometa com a gerência da crise com inclusão versus os que gerenciarão com concentração de poder e abandono até a aniquilação dos demais, como refugo. 

O que acontece no Ocidente, mais emblematicamente na Grécia, ilustra bem essa situação. Tenho sim, e o exponho na minha "secular" LT do FB, uma posição clara para que politicamente estejam, meu país e o mundo, sobre um esquema de poder que gerencie essa dramática transição sob uma política de inclusão e apoio. Embora mais pareça que todas as forças estão manipulando com sucesso as cabeças, logrando assim implantar um fascismo mundial de exclusão e aniquilação dos seres ordinários, comuns: dos “loosers” como gostam de chamar os americanos.

Em resumo amigo: O poder político assim como qualquer manifestação humana nesta natureza é precário, incompleto e transitório e não poderá haver nenhuma "República de Platão" se não houver novas consciência humanas totalmente transformadas que a implante. 

Mas enquanto essa Nova Consciência não prevaleça temos que ativamente tomarmos a melhor posição para enfrentarmos como coletividade a Grande Turbulência, até porque o que virá depois depende da qualidade de Ser com que a atravessemos.

Veja também: 
A PSIQUE HUMANA E A "GRANDE TRIBULAÇÃO"

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Está Na Hora de Avisar aos Goym

Amigos:

Essa postagem é uma nova versão atualizada de uma postagem que coloquei aqui em agosto de 2014 e teve 600 visualizações.
Os comentários sobre a primeira versão estão colocados no fim deste texto.

Aqui coloco tão somente FATOS expostos em  documentos, textos e pronunciamento de JUDEUS.







Leia em http://www.dailystormer.com/netanyahu-promises-to-make-the-talmud-a-reality-in-israel/

3 - Livro de um Rabino Permitindo a Matança de Crianças Goy se Torna Best Seller 

Jerusalém - Um rabino judeu lançou um livro dando aos judeus permissão para matar não-judeus, incluindo bebês e crianças, que possam representar uma ameaça real ou potencial para os judeus ou Israel. "É permitido matar os justos entre os não-judeus, mesmo que eles não sejam responsáveis ​​pela situação de risco", o rabino Yitzhak Shapiro, que lidera a Yeshiva Od Yosef Chai no assentamento Yitzhar, na Cisjordânia ocupada, escreveu em seu livro " Torá do Rei ".

Ele argumenta que os goyem (um epíteto depreciativo para os não-judeus) podem ser mortos se eles ameaçarem Israel.

"Se matarmos um gentio que pecou ou violou um dos sete mandamentos - porque nos preocupamos com os mandamentos - não há nada de errado com o assassinato."

Não-humanos

O edital controverso é apoiado por numerosos rabinos afiliadas com o chamado campo nacional-religioso, bem como o seminário talmúdico em Jerusalém Ocidental, conhecido como Merkaz Ha'rav.

Entre os rabinos que apoiaram publicamente o edital estão Yitzhak Ginsburg e Yaakov Yosef.

Ginsburg tinha escrito um folheto glorificando o assassino Goldstein e chamou-o de "figura santa."

Pontos de vista de Shapiro sobre como os palestinos e não-judeus, em geral, devem ser tratados de acordo com a lei religiosa judaica (halachá) são amplamente vistos como representando o mainstream não a exceção em Israel.

Durante a ofensiva israelense contra Gaza no início deste ano, Mordecahi Elyahu, uma das principais figuras rabínicas em Israel, pediu o exército não se abster de matar crianças inimigas, a fim de salvar a vida de soldados israelenses.

Ele até pediu ao governo israelense para levar a cabo uma série de bombardeios aos centros populacionais palestinos em Gaza.

"Se eles não pararem depois de matarmos 100, então temos de matar mil. E se eles não pararem depois que matarmos mil, então devemos matar 10.000. Se eles ainda não pararem, teremos de matar 100.000, até um milhão. O que for preciso para detê-los."

De acordo com Israel Shahak, autor de "História Judaica, Religião Judaica: o peso de três mil anos", o termo "seres humanos" na lei judaica refere-se apenas aos judeus.

Muitos rabinos ortodoxos judeus, especialmente no setor nacional-religioso, visualizam as convenções internacionais incriminatórias à matança deliberada de civis e destruição de casas e bens civis como representando "moral cristã" não vinculada aos judeus.

Em 2006, o Conselho Rabínico de assentamentos judaicos na Cisjordânia pediu ao exército "para ignorar a moral cristã e exterminar o inimigo no norte (Líbano) e no sul (Faixa de Gaza).

Tais decretos manifestadamente racistas e odiosos não levantam muitas sobrancelhas em Israel, nem entre entre os intelectuais, nem na sociedade em geral.

4 - Ben Gurion Ex Primeiro Ministro de Israel 

Uma das coisas que os assassinos sionistas alegam é que estão apenas respondendo às violências dos terroristas. 
Mesmo que fosse isso, a desproporção da resposta já atestaria a flagrante imoralidade e vilania de Israel. 
Mas pior que nem é isso! Esse texto mostra, irrefutavelmente, que muito antes de qualquer eventual 
ato terrorista o esquema de dominação já estava todo planejado.


5 - Ayelet é hoje Ministra do Governo Israelense


     5- "Com Amor de Israel" Mensagens de meninas de Israel escritas nos mísseis a serem lançados no Líbano e suas consequências

 Mensagens de meninas de Israel escritas nos mísseis a serem usados no Líbano
Mentira encenada por algum anti semita! ou -É isso mesmo, são animais! ou -Não quero nem saber!  
6 - Glyn Secker - "Judeus pela justiça para os Palestinos"



7 - Omer Goldman - Filha de um ex chefe da Mossad



  8 -Isral Shahak Historiador Judeu israelense


9 - Mk Wilf - Judia e ex legisladora israelense 


10 - CARTA DE EINSTEIN AOS SIONISTAS


Existe a qualidade do cérebro e a qualidade da alma.
É muito bom ver exemplos (raros) da excelência dos dois.

11 -  Carta Aberta dos Judeus Sobreviventes do Holocausto

http://www.noticiasonline.eu/carta-aberta-dos-judeus-sobreviventes
-holocausto-aos-governos-de-israel-e-dos-estados-unidos/

12 - Amy Goodman Ex- ministra de Israel sobre os "dissidentes"



13 - Nurit Peled - Elhanan Professora de lingua e educação na Universidade Hebraica de Jerusalém
"Os palestinos nos livros escolares de Israel (Como se faz a desumanização de um povo)"



14 - Gerald Kaufman um judeu-britânico veterano membro do parlamento, compara a ofensiva israelense em Gaza aos nazistas que forçaram sua família a fugir da Polônia.





15 - Norman Finkelstein, com a autoridade psíquica e moral de um único (e valoroso) judeu remanescente de uma família que teve todos os seus ascendentes maternos e paternos exterminados no holocausto fala sobre o conflito EUA-Israel versus Palestinos



16 - Shlomo Sand - Professor de história na Universidade de Tel Aviv e autor do polêmico livro"A Invenção do Povo Judeu"



17- Leia também a resenha: "A Invenção da Terra de Israel" 

18 - Benjamin Freedman Judeu expõe o envolvimento dos sionistas nas 3 Guerras Mundiais


Veja o Clip - clique aqui 



Veja também (em inglês) o documentário: 



Veja o Clip - clique aqui




Palestina dos Palestinos - Filhos irmanados de Abraão em Paz e Respeito  antes da ocupação Sionista
 Esses foram os comentários recebidos pela primeira versão dessa postagem 


terça-feira, 25 de agosto de 2015

'Nós Hipotecamos o Futuro', Entrevista com o sociólogo Zygmunt Bauman


Amigos:


Sociólogo Zygmunt Bauman
Eis o vídeo seguido de alguns comentários: 




Veja aos 14:20 minutos do vídeo quando ele diz que imprimir mais dinheiro não seria alternativa por gerar inflação.

Essa entrevista foi em 2011 quando a grande “mágica” de dar créditos aos bancos à partir de nenhuma produção real, mas simplesmente apropriando-lhes valores digitais à partir do NADA, salvando-os constantemente da falência e assim aumentando exponencialmente o débito nacional e mundial, mas também aplicando mecanismos repressores da inflação, como os rendimentos negativos das aplicações, foi arquitetada pelos economistas americanos e implantada pelo Central Bank.

Essa gambiarra ultra tecnológica e sofisticada foi chamada de “QE” – “Quantitative Easing” que é algo tal como se faz  com aqueles doentes irrecuperáveis do CTI permitindo-lhes ir vivendo na medida em que  a cada nova parada cardíaca ministra-se-lhes a recuperação sofisticada que os aparelhos médicos  permitem e assim o doente volta a viver até a próxima parada e assim sucessivamente. Só que a cada novo reviver mais tempo fica usando o CTI levando assim mais celeremente sua família à falência
 
É por isso que os esperados estouros das bolhas considerados iminentes em 2011 se seguraram e a bolha conseguiu crescer exponencialmente até hoje (2015) sem estourar, mesmo que às custas da deterioração crescente, mas controlada, de todo o organismo social.

E é aí que, nessa contramão, entrou a muito bem sucedida política econômica de inclusão do governo brasileiro permitindo que até hoje, ao contrário da Europa e do próprio EUA, tivéssemos um crescimento e inclusão social.

Mas se o mundo se desestabilizar como uma fileira de dominós, o que é inevitável e parece já estar acontecendo, em algum momento breve o Brasil vai também sofrer como um componente dessa fileira, desse mercado mundial. 

Por  isso entendo perfeitamente a política de contenção do governo Dilma com o Levy e espero que o necessário rigor técnico com a nossa gerência da economia (vai doer!) seja social e politicamente dirigido pela visão política e social  de inclusão que vem norteando nosso governo nesses 15 anos.

Se entrasse um outro dirigente com uma política do tipo europeia, certamente esse não seria responsável pela crise econômica, mas passaria a gerenciar o Brasil como já se faz na Europa (veja a Grécia, a Espanha e Portugal) com grande marginalização, concentração de renda e exclusão.

Mais para o fim do vídeo ele fala no caos e confusão que gerou o interregno entre a morte do primeiro imperador romano Rômulo e sua sucessão e termina dizendo que estamos num desses interregnos e portanto nada se pode prever como solução.

Minha observação aqui é que esse nosso atual interregno vai muito além de simplesmente uma mudança local e específica de uma cultura em particular. 

Encerra todo um ciclo milenar de nossa civilização e se abre para...

No livro "Atualidade do Cristianismo Gnóstico" (Baixe-o a partir da coluna à direita do Blog) dizemos: 

“Estamos numa crise de limite de consciência. Nossa crise é uma crise de consciência! Tudo o mais são os sintomas dessa crise” 

Paulo Azambuja

sábado, 13 de junho de 2015

O JOIO E O TRIGO







Paulo Azambuja: Proponha!!! Viabilize!!! Faça o que É POSSÍVEL para avançar. Você não está mais num carro de som!!

AJF: Estou com ele. Essas MPs do ajuste fiscal foram a gota de água que faltava para a paciência dos trabalhadores. Ou bem que o governo Dilma honra os compromissos de campanha e o discurso petista ou se rende de vez às politicas neo-liberais da direita e aguenta as consequências. Não dá para conduzir em cima do muro, iludindo seu eleitorado para agradar os banqueiros.

Paulo Azambuja: É assim que você vê o contexto, a situação, as possibilidades reais de FAZER ou não Fazer as coisas de poder ou não poder fazer, de articular um modo de GOVERNAR conciliando os objetivos limitações?

Vamos propor o seguinte: Que a Dilma de ao Paulo Paim um Ministério de Soluções com ampla liberdade, mas de-lhe também um prazo para resolvê-las. Mas eu disse fazer realmente coisas acontecerem e não fazer discursos e queixas porque isso fica com o carro de som do sindicato. Trata-se de GOVERNAR. Que tal?

AJF: As soluções são simples, porém politicamente indigestas ao governo feito de coalizões espúrias com o que há de mais podre e elitista neste país e provavelmente de rabo preso com determinações vindas do exterior. Ao invés de arrochar o trabalhador, ataque as maiores fontes de renda, as grandes fortunas. Paralelamente busque investimentos no exterior (já que fez m... na administração anterior) para cobrir os rombos fiscais. Porém não no FMI. É sabido que atualmente existem outras fontes onde o Brasil pode recorrer. Paulo Pain é um politico e não um tecnocrata da economia. Ele vê a consequência do problema levantado por Dilma e está na sua função de reclamar contra essas medidas. As soluções o proprio governo já sabe. Só não quer aplicá-las por outros motivos.

Paulo Azambuja: Sim, como não pensei nisso antes! Vamos acabar amanhã com as coalizões, vamos decretar que o rabo deve ser solto, vamos decretar o imposto sobre as grandes fortunas, vamos cobrir os rombos fiscais com uma ampla reforma, vamos cobrar imediatamente todas as fraudes do fisco, vamos diminuir os deputados e os senadores e os vereadores e cortar profundamente as despesas da câmara e também cortar o salário dos juízes, vamos tirar o Gilmar Mendes do STF para acabar com o financiamento particular, vamos mudar o presidente da câmara.... Desse modo poderemos tirar o Levy porque vai sobrar um monte de grana e aí então a gente aumenta o salário mínimo saneia a caixa do INSS, acaba com o fator previdenciário e muito mais. 
Como você disse as soluções são simples, não é?

Bem, quer dizer vamos não, a Dilma é que tem que fazer isso, afinal ela não é a Presidenta? Mas como você disse que "ela não quer aplica-las", então só vai nos restar comprar uma panela e ficar batendo e pedindo o "impichi", não é?

E mais com esses "aliados" assim nem se precisaria de Globos e Vejas.

AJF: Os atuais aliados neo-liberais e salvadores da economia já estão encarregados de afundar com o pt e governo Dilma. Quanto às medidas propostas acima, se ela tivesse saco (que não tem literalmente falando) para tomar pelo menos algumas delas mais efetivas, já resolveria e muito sem arrochar o lado mais fraco da sociedade.... o trabalhador.

E essa historinha da governabilidade, que aliás eu defendia e muito em nome de uma frente mais popular e patriótica de "centro"-rsrs-esquerda, agora já não cola mais. Visto que a tal governabilidade está direcionada para o lado errado da sociedade brasileira, em favor da direita e contra os direitos dos trabalhadores. Lamento mas é inaceitável esse tipo de "peace" governamental onde a corda fica no pescoço do trabalhador. O Paulo Pain está absolutamente certo em bater o pé. Ou o PT retorna às suas origens anti neo-liberais e trabalhistas ou ele tem que cair fora desse barco furado mesmo.

Paulo Azambuja: Pois é, vamos acabar com essa "historinha de governabilidade" quem precisa disso?

Mas não bate o pé não, é muito silencioso. Bate panela.

AJF: Certo isso. Serve tudo. A Dilma está conseguindo o impossível... unir trabalhadores e coxinhas. Pode?

Paulo Azambuja: É verdade. A Dilma virou um símbolo, um mote, um catalizador do joio e do trigo mental.

E há joio e trigo em todos as categorias humanas.

Esse será o único e definitivo bipartidarismo da humanidade: de um lado o joio e de outro o trigo. Irreconciliáveis.

Clique aqui e assista a entrevista completa da Dilma no programa do Jô em 13/06/2015

Um abraço

Paulo Azambuja 


quinta-feira, 16 de abril de 2015

A RELIGIÃO MANDEANA


Amigos:
Aqui traduzo este artigo de James Bean. 


Os Mandeanos ainda se manifestam em pequenas comunidades de emigrantes pelo mundo.
Eis aqui uma cerimônia de Batismo de Mandeanos no rio Nepean em Sydney Austrália

Uma mulher Mandeana, conhecida em árabe como Sabéia,
 lê um livro religioso enquanto marca a "grande festa",
 o ano novo Mandaeano, de acordo com o calendário
Sabeu em Bagdá, em 19 de julho de 2010.
A história dos Mandeanos (Man-day-yens) lembra um pouco a experiência de tribos nativas americanas; que eles possam sobreviver; que a sua sabedoria antiga possa ser compartilhado com a humanidade.

Na década de 1970, professor Kurt Rudolph escreveu seu livro definitivo sobre a natureza e a história da religião gnóstica, "Gnosis". No capítulo intitulado "A Relíquia: os Mandeanos", ele registrou que na época restavam apenas cerca de 15 mil Mandeanos e o número de sacerdotes Mandeanos estava diminuindo rapidamente. Ele os descreveu como uma comunidade em estado de crise, não só devido a uma escassez de sacerdotes, mas também por causa da crescente lacuna espiritual e cultural entre os idosos (que são os guardiões do conhecimento antigo) e as gerações mais jovens de Mandeanos leigos. 

Kurt Rudolph escreveu: "A própria existência da comunidade dependerá essencialmente de conseguir ou não resolver o problema de uma adaptação necessária ao mundo moderno. Só assim ela será, como a religião gnóstica mais antiga, com seus dois milênios de história em que desenvolveu sua linguagem aramaica independente e um estilo de vida como nenhuma outra seita gnóstica do passado, capaz de sobreviver no futuro." (Gnosis, Harper Collins) E estas palavras foram escritas muito antes da ascensão de Saddam Hussein, da Guerra do Golfo, e da loucura atual que amaldiçoou aquela região por muitos anos. 

[Nota do tradutor : Infelizmente depois que foi escrito esse artigo a situação, como não se podia imaginar, tornou-se ainda pior e a região esta sobre o domínio do grupo exterminador ISIS] 

Assírios e mandeanos em um encontro cristão em Bagdah.
Alguns Mandeanos (significando, "possuidores de conhecimento secreto") vivem em cidades iraquianas como Bagdá e Basra.
Há uma grande população Mandeana que reside em cidades mercantis menores e aldeias da região pantanosa no sul do Iraque e perto dos rios Tigre e Eufrates. 

O Irã também tem uma população Mandeana; muitos deles habitam ao longo do rio Karun, na província de Rhuzistan. O profeta Maomé os chamou de "sabeus", ou seja, "os batistas ou batizadores", um nome que ocorre no Alcorão e que lhes permitiu continuar sob o Islã. O Islã também os categorizou como "o povo do livro," uma religião que possui suas próprias escrituras antigas. Outro fator que tradicionalmente lhes permitiu operar no mundo islâmico é a sua afiliação com João Batista. João Batista é um dos seus maiores profetas para o Islã.

Embora a conexão histórica entre João e os Mandeanos seja difícil de se verificar, é de fato possível que eles sejam descendentes dos discípulos de João Batista, que há 2.000 anos teve um grande número de seguidores que acreditavam ser ele um grande mestre se não o esperado Messias. Após a morte de João, o Novo Testamento retrata Jesus como sendo seu sucessor espiritual, mas outros líderes da comunidade de João podem ter visto as coisas de forma diferente. Como Jesus, outros também podem ter reivindicado serem os sucessores de João e, assim, tornaram-se os líderes de uma comunidade Joanina, que manteve a sua independência em relação ao Movimento de Jesus, e permaneceram como eram - uma seita batismal heterodoxa da Trans-Jordânia.

De acordo com os estudiosos de estudos Mandean como Werner Foerster, de fato as origens dos Mandeanos se volta para a tradição Palestina judaica do primeiro século dC na região do rio Jordão. Foerster afirma em "Gnosis II", publicado pela Oxford University, que, no contexto da guerra judaica de independência e consolidação do judaísmo ortodoxo após 70 dC, "a sua posição como uma oposição minoritária, evidentemente, levou à perseguição da comunidade e, finalmente à sua emigração do seu território nativo na Jordania para o leste, começando em Harran e, em seguida, nas regiões do sul da Mesopotâmia ". Por fim, a comunidade se instalou na região dos rios Tigre e Eufrates, onde poderia continuar o ritual dos iniciados batizando em "águas vivas" (rios) que simbolizam o conectar de suas almas com os "celestes rios Jordão de Luz".

O Novo Testamento-Ish Or com provérbios ao modo de Jesus 
Esta comunidade religiosa antiga, também conhecida como os Nazoreanos, ainda usa um dialeto da língua aramaica; eles possuem uma enorme quantidade de escrituras maravilhosas, a maioria na forma de salmos ou hinos.

Antes de começar o estudo de alguns escritos visionários nas escrituras Mandeanas, quero compartilhar alguns exemplos de passagens que soam um pouco "familiar" para os nossos ouvidos 
- Novo Testamento ou passagens semelhante às de Jesus.

Estas seriam as palavras faladas por aqueles que vieram do mesmo meio semita de língua aramaica, como fez Jesus e outros messias do Oriente Médio:

"Eu sou um pastor que ama suas ovelhas; 
eu protejo as ovelhas e os cordeiros ... 
eu os conduzo e dou-lhes água para beber 
na palma da minha mão, 
até que bebam a se fartar."

"Um pescador eu sou, 
que sou o eleito entre os pescadores, 
o chefe de todos os pescadores."

"Dê pão, água e abrigo para os pobres 
e às pessoas acuadas que sofrem perseguição. "

"Amem e apoiem uns aos outros."

"Quando você vê alguém que está com fome, 
então satisfaça a sua fome. 
Quando você vê alguém que tem sede, 
em seguida, dai-lhe de beber, 
pois quem dá, recebe ".

"Quem liberta um prisioneiro vai encontrar 
um Mensageiro da Vida avançando 
para encontrá-lo".

"Oh meu escolhidos! Não coloquem sua confiança 
nos reis, governantes e rebeldes deste mundo, 
nem nas forças militares, armas, conflitos, 
e nos anfitriões que eles montam, 
nem em prata e ouro ... 
Seu ouro e sua prata não irão salvá-los. 
Sua autoridade morre e chega ao fim ".

As palavras "busca e encontrarás" aparecem em inúmeras ocasiões nas escrituras Mandeanas, e de fato muito mais frequentemente que no Novo Testamento. E o termo "Lugar da Vida", muitas vezes usado nos textos Mandeanos, também aparece no Evangelho de Tomás .

A primeira onda de Gnosis

Houve algum tipo de transformação no pensamento [consciência] que ocorreu há 2.000 anos no Oriente Médio, o que levou ao nascimento de dezenas de novos movimentos religiosos dentro e fora do judaísmo, incluindo os Sethianos, os Essênios, e várias formas e expressões do cristianismo. Muitos deles são classificados como "gnósticos", ou seja, os que se concentraram no conhecimento espiritual/místico.

Este foi o momento da primeira onda de Gnosis no mundo ocidental - a centelha foi acesa.

Algumas almas começaram a acreditar que lhes era possível, pessoalmente, conhecer os mistérios de Deus e dos céus, e procuraram a sabedoria e a orientação espiritual dos vários mestres, místicos, profetas e apóstolos que estavam ao redor naquele momento. Para o Nazoreanos (Mandeanos), João Batista foi o Professor de Deus que tinha sido enviado "da Luz" para batizar ou iniciar as almas para a experiência de o Conhecimento da Vida. A "Grande Vida", é o nome de Deus nas escrituras Mandeanas.

Existem alguns exemplos de literatura visionária nos Manuscritos do Mar Morto, várias descrições de coisas que estão acontecendo nos céus. Os textos Mandeanos parecem ser uma continuação dessa tradição visionária do - misticismo da Luz e da Ascensão. 

Na minha opinião, as escrituras Mandeanas provavelmente representam os documentos mais celestes ou sobrenaturais do oeste, repleta de visões fora-deste-mundo; de Deus, descrições do céu, almas, anjos, e vida após a morte. Eles falam diretamente para o coração e a alma do leitor através de hinos e orações de incrível beleza.

A vinda do mensageiro da luz

O papel do mensageiro celeste é dar a experiência mística de luz para as almas e, finalmente, orientá-las de volta ao Lugar de Luz, o termo Mandeano para o mais alto dos céus, onde a Grande Vida (Deus) reside. Aqui estão algumas passagens dos livros sagrados Mandeanos sobre o Manda-d-Hiya - o grande redentor celestial:

O Iluminador dos Mundos de Luz

Em nome da Grande Luz,
Luz Sublime seja louvada. 

"Do Lugar de Luz eu saí,
a partir de ti, Brilhante Habitação. 
Venho para tocar os corações, 
para medir e tocar todas as mentes, 
para ver em cujo coração eu habito. 
Quem pensa em mim, esse eu acho, 
todo aquele que invocar o meu nome, 
o seu nome eu vou chamar. 
Todo aquele que reza a minha oração na Terra, 
a sua oração vou oferecer ao Lugar de Luz ".

"Eu vim e encontrei os verdadeiros corações a crer. 
Quando eu não estava habitando entre eles, 
mas o meu nome estava em seus lábios, 
levei-os e guiei-os ao Mundo da luz."

"Tornei-me o Iluminador dos mundos de luz. 
Tornei-me um rei para os Nazoreanos, 
que recebem louvores e estabilidade 
através do meu nome. 
E pelo meu nome eles ascendem 
à Praça da Luz. 
Quanto aos justos eleitos 
que me vestiram como uma peça de roupa, 
seus olhos estavam cheios de luz, 
e o Manda-d-Hiya [Conhecimento da Vida] 
​​foi criado em seus corações ".

Abraçado pela Luz

Os encontros místicos registrados nas escrituras dos Mandeanos podem parecer às vezes como antigas experiências de quase-morte (EQM), as visões de lmãs que foram abraçados pela Luz há muito tempo:

"Quando cheguei ao riacho das águas
Uma radiante centelha me encontrou
Me levou pela palma de minha mão direita
E conduziu-me por sobre as correntes da morte
Foi trazida a resplandescência e dela fui revestido
Foi trazida a luz e nela fui envolvido..."

"[Oração]Filhos dos Bons
Mostre-me o caminho para os Uthras (espíritos. anjos)
A Senda da ascensão pela qual teu Pai
Elevou-te para o lugar da Luz

"Ele levantou-se
e me levou com ele
e não me deixou
nesta casa perecível. "


Esta é a minha interpretação.

No relato acima, após esta alma ter atravessado para o outro lado, foi recebida por uma "centelha de Resplendor", (segundo outra tradução) um libertador ou guia que não só acompanhou a alma para o além, mas também deu lhe o seu manto celestial de Resplendor - uma peça de roupa feita de luz. 

Não está claro para mim se à alma, literalmente, foi dado um robe para colocar, ou se talvez esta seja uma outra maneira de descrever o processo de deixar o corpo no momento da morte, tirando o manto do corpo físico, o que fez a alma se ver como um ser de luz. Em qualquer caso, a alma, então, ora ao seu auxiliar e orientador para ser escoltada para cima, para o Lugar de Luz. 

Uma outra versão diz:

"Eu levantei meus olhos para o céu
e minha alma esperou pela Casa da Vida.
E a Vida (Deus), que ouviu o meu clamor,
enviou me um libertador."


Esta versão também descreve o encontro com o ser celestial (centelha de Radiância) que acompanhava a alma sobre as águas da morte, e acompanhou-a durante a ascensão até o mundo de luz. O hino termina com estas palavras:

"E a Vida sustentou a Vida!

A Vida encontrou o que lhe é próprio.

Em meu próprio ser reencontro a Vida, 

e minha alma descobriu 
o que tinha buscado. 
Renovado na Vida e vitorioso." 

Visões das Grandes Almas no Lugar da Luz 

As Grandes Almas são descritas como seres luminosos que vivem em um mundo de Luz infinita com um Ser Supremo de Luz. Os céus do hiperespaço são atravessados ​​por correntes espirituais de "Águas Vivas", afluentes do rio Jordão Celestial de Luz. As almas são descritas como seres radiantes que brilham umas sobre as outras como as estrelas no centro da nossa galáxia:

"Elas estão a milhares e milhares de quilômetros 
distantes uma das outras 
e ainda assim uma é iluminada 
pela radiância das outras".
O principal nome para o mais alto Deus na tradição Mandaean é "A Grande Vida."

Muitos dos seus hinos de oração começam com esta invocação:

"Em nome da Grande Vida,
Luz Sublime seja louvada ".

"Vivente", um termo encontrado no Evangelho de Tomé nos escritos gnósticos orientais, é usado em textos Mandeanos para Deus. A Grande Vida é também referido como o Rei da Luz, um ilimitado radiante Ser de compaixão e amor:

"Ele é a Luz, em quem não há trevas,
o Vivente, em quem não há morte, 
o bom, em quem não há dolo, 
o Gentil, em quem não há confusão, 
o UM, em quem não há o veneno da amargura." 

O termo "Grande Espírito" também é usado em várias ocasiões nas escrituras Mandeanas.

[Aqui se encerra a tradução do texto de James Bean]

Uma Introspecção sobre um Poema Mandeano

Os Mandeanos compõe um grupo gnóstico que vem se manifestando sem interrupções desde sua origem como os seguidores de João Batista. Esse grupo tem como seu livro de sabedoria o GINZA do qual traduzi o poema "A Canção da Ascenção" que trata fiel e profundamente do caminho de salvação do discípulo após seu desligamento físico.

Os Mandeanos se encontram em extinção pois habitam territórios do Iraque e Irã e certamente não resistiram ao caos e a carnificina ali dominante, Provavelmente não há mais do que uma dezena de milhar de reminiscentes. 

Elaborei o vídeo que apresento em seguida sobre esse poema. 

A tradução as imagens e a música me ajudam muito numa introspecção profunda sobre esse tema, vital do ensinamento gnóstico. Espero que também assim seja com os que o assistirem.

Os Mandeanos se encontram em extinção pois habitam territórios do Iraque e Irã e certamente não resistiram ao caos e a carnificina ali dominante, Provavelmente não há mais do que uma dezena de milhar de reminiscentes. 

Clique e veja o vídeo: 


Eis o poema:

A Canção da Ascenção

"Eu voo e para lá prossigo
Até chegar às guaritas do Sol
Eu lamento: 
“Quem me guiará além das guaritas de Sãmïs?”
“Teus méritos, tuas obras, tuas dádivas e tua bondade 
Te guiarão além das guaritas de Sãmïs”
Quão amplamente me rejubilo!
Quão completamente meu coração se alegra!
Quanto anseio!
Quanto anseio pelo dia do término de minha luta,
Pelo dia do término de minha luta
E pelo meu rumo traçado ao lugar da vida 

Eu acelero e para lá prossigo 
Até chegar às guaritas da Lua
Quando cheguei ao riacho das águas
Uma radiante centelha me encontrou 
Me levou pela palma de minha mão direita
E conduziu-me por sobre as correntes da morte
Foi trazida a resplandescência e dela fui revestido
Foi trazida a luz e nela fui envolvido
E a Vida sustentou a Vida!

Filhos dos Bons
Mostre-me o caminho para os Uthras
A Senda da ascensão pela qual teu Pai
Elevou-te para o lugar da Luz.

Paulo Azambuja



sexta-feira, 27 de março de 2015

Manifesto para uma Ciência pós-materialista




Amigos:

Dentro de nosso acompanhamento constante da realização dessa “Atualidade” nos chega agora, em março de 2015, este manifesto científico recém lançado. 

A percepção gnóstica, já em 2008, permitiu-nos, no livro “Atualidade do Cristianismo Gnóstico”, antecipar alguns pontos deste manifesto. 

Vejamos o texto do livro: 

“Outra característica importante também surgida nesses últimos séculos foi a emergência do Raciocínio Concreto, desde a Renascença. Só que ainda sofrendo durante os primeiros duzentos anos uma repressão muito grande do sistema de crença dominante com força policial capitaneada pelo sistema da igreja romana.

Esse poder opressor só foi atenuado com a Revolução Francesa. A partir de então a ciência, que é filha direta desse raciocínio concreto, começou a se consolidar e a produzir cada vez mais frutos que são a tecnologia.

Até fins do século XIV, referindo-nos a Kant, que fez a distinção entre o que chamou: Razão Pura e Razão Prática, o âmbito de atuação da ciência era o âmbito da razão prática e o âmbito das transcendências, das éticas, enfim das situações subjetivas ficava, no contexto da razão pura. No entanto o poder econômico que a ciência ganhou com a tecnologia, fez com que os cientistas questionassem: Por que razão pura? Nós podemos com a ciência resolver todos os problemas e dar todas as respostas!

Desse modo, uma ideologia que já vinha se formando - o Naturalismo ou Materialismo Reducionista - que já era inspiração para a ciência, passou então, de inspiração, à afirmação científica. Isso é: a ciência passou a afirmar o materialismo reducionista como se fosse algo sujeito à comprovação pelos seus próprios métodos. Desse modo, por exemplo, para a ciência todo o conceito de existir se basearia na química.

Mas na verdade isso não é científico. Porque para ser científico teria que passar pelo crivo comprobatório do método científico. No entanto, além das especulações desejosas de uma fé e de um poder materialistas, a obtenção dessas provas resiste a qualquer resultado conclusivo já por quase duzentos anos.

E mais ainda, à luz de descobertas científicas recentes a tese materialista não se adéqua a uma série de experiências laboratoriais publicadas. Como por exemplo, em experiências estatisticamente consistentes da parapsicologia experimental (busque em Dean Radin), na microbiologia (procure em Michael Behe) e da medicina intensiva, nas chamadas “Experiências de Quase Morte” (EQM) nas quais há uma verificação controlada e testemunhada de estados de consciência ativos, observados em pacientes enquanto passaram por ocorrências de não funcionamento cerebral. (pesquise em NDE ou EQM). Procure também o trabalho do físico e espiritualista brasileiro Laércio Fonseca.

Essa atitude de afirmação materialista pela ciência é, portanto, meramente um cientificismo na qual, revestindo-se de uma capa e de um status de ciência, mas não conseguindo resistir a uma comprovação pelos próprios métodos científicos, não passa na verdade de uma ideologia, de uma profissão de fé.

E assim chega, já nos seus estertores, ao nosso século XXI. Mas ainda muito forte e ainda influenciando toda uma mentalidade maciçamente suportada pela mídia e pela academia que a partir do ocidente se transformou numa mentalidade global - uma mentalidade Reducionista Materialista planetária.

Ora, se existir é algo meramente químico, se a consciência é um epifenômeno bioquímico, então porque não se fazer com a química a expressão do apogeu da nossa vida e de nossa consciência? Frente às premissas materialistas, não é essa é uma conclusão bem coerente e razoável?

No entanto, verifica-se o desalento social, familiar e individual, quando essa mentalidade apresenta suas consequências, como nas drogas, no vício, na exacerbação sexual, etc. Aí os frutos são amargos e então há surpresa e perplexidade da humanidade; humanidade essa que passiva ou ativamente, no entanto, participa e incentiva das concepções e os decorrentes atos, do materialismo reducionista.”

Paulo Azambuja

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E agora o manifesto: 

Manifesto para uma Ciência pós-materialista
Publicado em 22 de marco de 2015

"Mais de 70 cientistas de diferentes áreas assinaram um manifesto para uma ciência pós-materialista, que foi publicado na revista “Explore”.

Para Dave Pruett, ex-pesquisador da NASA, Professor Emérito de Matemática da Universidade James Madison, este documento significa uma revolução conceitual e representa algo comparável na ciência ao que significaram para a religião cristã as 95 teses de Martinho Lutero.

Os redatores do manifesto foram Mario Beauregard, Gary E. Schwartz e Lisa Miller, em colaboração com Larry Dossey, Alexander Moreira-Almeida, Marilyn Schlitz, Rupert Sheldrake e Charles Tart. Todos são considerados cientistas heterodoxos (e em alguns casos, hereges) pelos setores dominantes da ciência, mas assim também o foram Copérnico, Galileu, Kepler ou Einstein, diz Pruett.

O Manifesto pós materialista foi a conclusão do encontro sobre ciência, espiritualidade e da sociedade, realizado no Canyon Ranch, em fevereiro de 2014 e organizado por Schwartz e Beauregard, da Universidade do Arizona, e Lisa Miller, da Universidade de Columbia. Até agora, mais de 70 cientistas de todo o mundo juntaram-se ao manifesto com suas assinaturas.

Manifesto para uma Ciência pós-materialista 

1- A visão de mundo da ciência moderna é essencialmente o resultado de pressupostos intimamente associados com a física clássica. O materialismo – a ideia de que a matéria é a única realidade – é um desses pressupostos. Outro pressuposto relacionado é o reducionismo, a noção de que as coisas complexas podem ser entendidas, reduzindo-as para interações entre suas partes ou a coisas mais simples mais fundamentais, como as minúsculas partículas materiais.

2- Durante o século XIX, estes pressupostos se estreitaram tornando-se em dogmas e levando a um sistema de crença ideológica que tem sido chamado de “materialismo científico”. Este sistema implica na crença de que a mente não é nada mais do que a atividade física do cérebro e que nossos pensamentos não podem ter nenhum efeito sobre o nosso próprio cérebro ou corpo, sobre nossas ações ou sobre o mundo físico.

3- A ideologia do materialismo científico tornou-se dominante na academia durante o século XX. Tão dominante que uma maioria de cientistas começou a acreditar que ele estava baseado em evidências empíricas bem estabelecidas e representavam a única maneira racional para se ver o mundo.

4- Os métodos científicos baseados na filosofia materialista foram muito bem sucedidos, não só para aumentar a nossa compreensão da natureza, mas, permitindo maior controle e liberdade através de avanços tecnológicos.

5- No entanto, o domínio absoluto do materialismo prático na academia foi restringiu e prejudicou seriamente o desenvolvimento do estudo científico da mente e da espiritualidade. A fé nesta ideologia cientifica como o único quadro explicativo da realidade levou a se negar a dimensão subjetiva da experiência humana. Isto levou a uma compreensão gravemente distorcida e empobrecida de nós mesmos e de nosso lugar na natureza.
O materialismo tem dificultado o estudo científico da mente e espiritualidade
'A mudança de uma ciência materialista para um pós-materialista pode ser de importância vital para a evolução da civilização humana. Pode ser mais relevante do que a transição do geocentrismo para heliocentrismo. '

6- A ciência é essencialmente uma abordagem não-dogmática e de mente aberta para se adquirir conhecimento sobre a natureza através da observação, investigação experimental e explicação teórica de fenômenos. Sua metodologia não é sinônimo de materialismo e não deve comprometer-se com qualquer conjunto particular de crenças, dogmas e ideologias.

7- No final do século XIX, os físicos descobriram fenômenos empíricos que não podiam ser explicadoS pela física clássica. Isto levou ao desenvolvimento durante os anos 1920 e início dos anos 1930 um revolucionário novo ramo da física chamado mecânica quântica. (MC). A MC tem questionado os fundamentos materiais do mundo, mostrando que os átomos e partículas subatômicas não são realmente objetos sólidos e que não existem com certeza em um lugar e de tempo definidos. Mais importante, a MC explicitamente introduziu a mente em sua estrutura conceitual básica para descobrir que as partículas observadas e o observador – o físico e o método utilizado para a observação - estavam vinculados. De acordo com uma interpretação do MC, este fenômeno implica que a consciência do observador é vital para a existência de eventos físicos observados e que eventos mentais podem afetar o mundo físico. Os resultados de experiências recentes suportam esta interpretação. Estes resultados sugerem que o mundo físico não é o componente único ou principal da realidade e não pode ser plenamente compreendido sem relacioná-lo com a mente.

8- Os estudos psicológicos têm mostrado que a atividade mental consciente pode influenciar causalmente o comportamento e que os valores explicativos e preditivos dos agentes causais (por exemplo, crenças, objetivos, desejos e expectativas) são muito elevados. Além disso, pesquisas em psiconeuroimunologia indicam que nossos pensamentos e emoções podem afetar significativamente a atividade dos sistemas fisiológicos (por exemplo, imunológico, endócrino e cardiovascular) conectados ao cérebro. Além disso, exames de neuroimagem de auto-regulação emocional, a psicoterapia e o efeito placebo mostram que os eventos mentais influenciam significativamente a atividade cerebral.

9- Os estudos dos chamados "fenômenos psi" indicam que, por vezes, pode-se receber informações significativas sem a mediação dos sentidos ordinários de modo que transcendam as fronteiras espaciais e temporais habituais. Além disso, a pesquisa mostra que podemos influenciar - à distância - mentalmente em dispositivos físicos e organismos vivos (incluindo outros seres humanos). A pesquisa psi também mostra que as mentes separadas podem se comportar de maneiras que não são correlacionados localmente, por exemplo, as correlações entre mentes separadas, hipoteticamente, não mediadas (não vinculadas a qualquer energia do sinal conhecido), absolutas (não degradadas como a distância) e imediatas (parecem ser simultâneas). Estes eventos são tão comuns que não podem ser vistos como anômalos ou como exceções às leis naturais, mas como indicadores da necessidade de um quadro explicativo mais amplo que não pode contar com o materialismo.

10- A atividade mental consciente pode ser experimentada durante a morte clínica devido a uma parada cardíaca [isto é o que tem sido chamado de "experiência de quase morte" (ECM). Algumas ECM provaram experimentar percepções verídica da realidade externa (percepções correspondentes à realidade) que ocorreram durante a parada cardíaca. Pessoas que sofreram EQMs também têm sofrido profundas experiências espirituais durante a parada cardíaca. Note-se que a atividade elétrica do cérebro cessa alguns segundos após a parada cardíaca.
Os fenômenos psi e as ECM apoiam a conclusão de que a mente pode existir separadamente do cérebro

11- Os experimentos controlados em laboratório têm documentado que pesquisadores com habilidades mediúnicas (pessoas que asseguram poder se comunicar com as mentes das pessoas que morreram fisicamente) podem às vezes obter informações muito precisas sobre as pessoas falecidas. Isto permite concluir que a mente pode existir separadamente do cérebro.

12- Alguns cientistas e filósofos especialmente imbuídos do materialismo rejeitam o reconhecimento desses fenômenos, porque eles não são consistentes com a sua exclusiva visão de mundo. A rejeição das investigações pós-materialistas da natureza, ou a recusa em publicar descobertas científicas importantes que suportam um quadro pós-materialista são contraditórias com o verdadeiro espírito de investigação científica, de acordo com o qual os dados empíricos devem ser sempre tratados de forma adequada. Os dados que não se encaixam nas teorias e crenças favoritas não podem ser negligenciados a priori. Esse desprezo é do domínio da ideologia, não da ciência.

13- É importante entender que os fenômenos psi, as ECM em paradas cardíacas e as evidências replicáveis de investigadores médiuns credíveis parecem anomalas somente quando vistas através da lente do materialismo.

14- Além disso, as teorias materialistas não conseguem explicar como o cérebro cria a mente e não podem explicar as evidências empíricas mencionadas neste manifesto. Esta falha nos diz que é hora de nos libertarmos dos grilhões e viseiras da velha ideologia materialista, para ampliar nossa compreensão do mundo natural e aderirmos a um novo paradigma pós-materialista.

15- De acordo com o paradigma pós-materialista:

a. A mente é um aspecto da realidade tão essencial como o mundo físico. A mente é fundamental no universo e não pode ser derivada da matéria ou reduzida a algo mais básico.
b. Há ligações profundas entre a mente e o mundo físico.
c. Os cientistas não devem temer a investigar espiritualidade e experiências espirituais, porque eles representam um aspecto central da existência humana."
d. A mente (vontade/intenção) pode influenciar o estado do mundo físico e agir de maneiras não-locais, nem limitar-se a pontos específicos no espaço, como o cérebro e o corpo, ou pontos específicos no tempo, como o presente. Como a mente pode influenciar não localmente sobre o mundo físico, as intenções, emoções e desejos de um experimentador não estão completamente isolados dos seus resultados experimentais, mesmo em modelos experimentais controladas e às cegas.
As mentes são aparentemente ilimitadas e podem ser vistas de modo a que sugerem a existência de uma única mente que inclui todas as mentes individuais.
e. As ECM em parada cardíaca sugerem que o cérebro funciona como um receptor da atividade mental, ou seja, a mente pode funcionar através do cérebro, mas não é produzida por este. A ECM ocorrendo em parada cardíaca, junto com a evidência de pesquisadores médiuns, sugerem a sobrevivência da consciência após a morte do corpo, bem como a existência de outros níveis da realidade que são imateriais.
f. Os cientistas não devem temer investigar a espiritualidade e as experiências espirituais, porque elas representam um aspecto central da existência humana.

16- A ciência pós-materialista não rejeita as observações empíricas nem o grande valor das realizações científicas feitas até agora. Busca ampliar a capacidade humana de compreender melhor as maravilhas da natureza e, no processo, redescobrir a importância da mente e do espírito, como partes do tecido central do universo. O pós materialismo inclui a matéria que é considerado como um constituinte básico do universo.

17- O paradigma pós-materialista tem implicações de longo alcance. Altera fundamentalmente a visão que temos de nós mesmos, restaura-nos a dignidade e poder, como seres humanos e como os cientistas. Este paradigma cultiva valores positivos como o respeito, a compaixão e a paz. Ao enfatizar a profunda ligação entre nós e toda a natureza, o paradigma pós-materialista promove a conscientização ambiental e preservação de nossa biosfera. Além disso, não é novo, mas tem sido esquecido durante 400 anos, que uma compreensão viva e transmaterial pode ser a pedra angular da saúde e bem-estar, como tem sido sustentado e preservado na prática antiga do corpo-mente-espírito, tradições religiosas e abordagens contemplativas.

18- A mudança de uma ciência materialista para uma pós-materialista pode ser de importância vital para a evolução da civilização humana. Pode ser mais relevante do que a transição de geocentrismo para heliocentrismo.


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